A terceira temporada de Star Trek: The Next Generation, uma série de televisão de ficção científica estadunidense, se passa no século XXIV e acompanha as aventuras da nave estelar USS Enterprise enquanto realiza diversas missões pela galáxia. Foi criada por Gene Roddenberry, o mesmo criador de Star Trek: The Original Series. Nesta temporada houve novas mudanças entre o elenco principal, com o retorno da atriz Gates McFadden no papel da doutora Beverly Crusher depois de ter sido demitida e substituída por Diana Muldaur como doutora Katherine Pulaski na segunda temporada. Além disso, houve a estreia de vários atores que reapareceriam nos mesmos papéis pela franquia, como Dwight Schultz como o tenente Reginald Barclay e Tony Todd como Kurn. Mais mudanças ocorreram na equipe de roteiristas, com Maurice Hurley deixando a série e sendo substituído por Michael Wagner, porém este ficou no trabalho por apenas três semanas e foi sucedido por Michael Piller. Ronald D. Moore se juntou à equipe depois de ter enviado o roteiro para o episódio "The Bonding", enquanto René Echevarria escreveu dois episódios como roteirista independente e depois entraria para a equipe fixa a partir da sexta temporada. Os roteiristas Hans Beimler, Richard Manning, Melinda M. Snodgrass e Ira Steven Behr deixaram a série ao final desta temporada. Outras mudanças incluíram a chegada de Robert Blackman como figurinista, que modificou todos os uniformes da Frota Estelar vistos na série, além da criação de uma nova sequência de créditos. The Next Generation estreou sua terceira temporada com bons números de audiência em "Evolution", mas a audiência nos primeiros episódios caiu um pouco até subir novamente na segunda metade, com a série ficando em média como o terceiro programa mais assistido do horário. "Yesterday's Enterprise" teve a maior audiência, a maior de The Next Generation desde o início da primeira temporada, enquanto a audiência mais baixa foi em "Ménage à Troi". A recepção da crítica foi positiva, com muitos achando que era uma das melhores da série. Elogios especiais foram dados aos episódios "Yesterday's Enterprise", "Sins of the Father" e "The Best of Both Worlds". Diferentes episódios da temporada foram indicados a nove Prêmios Emmy do Primetime, vencendo dois.

Episódios

Elenco

Produção

Roteiros

O roteirista chefe Maurice Hurley deixou Star Trek: The Next Generation ao final da segunda temporada e Michael Wagner foi trazido como substituto pelo produtor executivo Rick Berman. Entretanto, Wagner ficou por apenas três semanas, recomendando Michael Piller para assumir seu lugar. Os dois tinham trabalhado juntos anteriormente em 1988 na série Probe. O agente de Piller o aconselhou a não aceitar o trabalho porque ele ficaria "rotulado como roteirista independente", mas Piller aceitou mesmo assim. Ele coescreveu "Evolution", o primeiro episódio da temporada, e assumiu as funções de coprodutor executivo de "The Bonding" em diante. Piller explicou à equipe de roteiristas que todos os episódios tinham duas exigências, afirmando que "todo o episódio será sobre crescimento de personagem. E todo episódio precisa ser sobre algo". A temporada teve promoções na equipe de roteiristas. Hans Beimler e Richard Manning tornaram-se coprodutores, já Melinda M. Snodgrass tornou-se consultora de roteiro executiva. Ira Steven Behr juntou-se como produtor de roteiro após "The Vengeance Factor". Os quatro deixaram a série ao final da temporada. Behr depois se tornaria o produtor executivo de Star Trek: Deep Space Nine. Richard Danus trabalhou como editor de histórias executivo entre "Booby Trap" e "Yesterday's Enterprise". Piller implementou uma política de portas abertas para roteiros especulativos, permitindo que Ronald D. Moore tivesse seu primeiro roteiro em "The Bonding". Esta história foi bem sucedida e ele foi contratado como editor de histórias executivo a partir de "Sins of the Father". Outro que conseguiu seu primeiro roteiro por conta dessa política foi René Echevarria com "The Offspring"; ele depois trabalharia no roteiro de "Transfigurations" e passaria a integrar a equipe fixa na sexta temporada. Esta temporada também teve um relaxamento na imposição prévia do produtor executivo Gene Roddenberry, o criador de The Next Generation, de que a série não poderia abordar aspectos da predecessora Star Trek: The Original Series. Isto foi visto principalmente no episódio "Sarek", especificamente quando o capitão Jean-Luc Picard menciona Spock durante um elo mental com Sarek. Piller descreveu este momento como "o avanço que nos permitiu abrir as portas, que nos permitiu começar a abraçar o nosso passado". "The Best of Both Worlds", o episódio final da temporada, foi o primeiro episódio em duas partes de Star Trek desde "The Menagerie" de The Original Series e a primeira vez que uma temporada terminou com um gancho, algo que se tornaria o padrão. Ele foi escrito sozinho por Piller sem se consultar com os outros roteiristas porque na época o relacionamento dele com os outros estava ruim. Piller tinha um contrato de apenas uma temporada e considerou sair, mas foi convencido a ficar por Roddenberry e Berman.

Seleção de elenco

Gates McFadden retornou na terceira temporada como doutora Beverly Crusher, personagem que tinha sido excluída na segunda temporada e substituída pela doutora Katherine Pulaski, interpretada por Diana Muldaur. Roddenberry tinha garantido que Crusher não fosse excluída permanentemente a fim de permitir seu retorno no futuro. McFadden fora demitida por Hurley, com a saída deste permitindo o retorno da atriz. Ao final da segunda temporada foi perguntado a Patrick Stewart, o intérprete de Picard, o que ele queria para a terceira, com uma das respostas sendo a saída de Muldaur e o retorno de McFadden. Vários personagens recorrentes da franquia apareceram nesta temporada, incluindo John de Lancie como Q em "Deja Q" e Majel Barrett como Lwaxana Troi em "Ménage à Troi", ambos os quais apareceram em episódios das temporadas anteriores. Também houve a aparição de Mark Lenard como Sarek, papel que tinha interpretado em "Journey to Babel" de The Original Series e nos filmes da franquia. Denise Crosby, cuja personagem tenente Tasha Yar tinha sido morta em "Skin of Evil" da primeira temporada, retornou em uma participação especial no episódio "Yesterday's Enterprise". Os eventos deste episódio criariam as bases para outras aparições da atriz em temporadas futuras de The Next Generation como Sela, a filha meia-romulana de Yar. A terceira temporada também teve a estreia de vários atores que reapareceriam tanto em The Next Generation quanto em outras séries da franquia. Estes incluíam Tony Todd como Kurn, o irmão de Worf, papel que reprisaria nesta série e também em Deep Space Nine. Dwight Schultz fez sua primeira aparição como tenente Reginald Barclay em "Hollow Pursuits", depois se tornando um personagem recorrente da série e em seguida fazendo várias aparições em Star Trek: Voyager e no filme Star Trek: First Contact. Jennifer Hetrick estreou como Vash no episódio "Captain's Holiday", retornando no mesmo papel em "Qpid" da quarta temporada e depois em "Q-Less", este último de Deep Space Nine. Susan Gibney apareceu como doutora Leah Brahms em "Booby Trap" e retornaria ao papel em "Galaxy's Child", também posteriormente interpretando a capitã Erika Benteen em "Paradise Lost" de Deep Space Nine. Max Grodénchik apareceu como o ferengi Sovak em "Captain's Holiday" e depois fez outro ferengi em "The Perfect Mate", sendo então escalado como mais um ferengi em "Emissary", o episódio piloto de Deep Space Nine; este se tornaria o personagem recorrente Rom. Andreas Katsulas fez suas primeiras participações como o romulano Tomalak em "The Enemy" e "The Defector", personagem que reprisaria em "Future Imperfect" e "All Good Things...", este o episódio final de The Next Generation. Charles Cooper e Patrick Massett apareceram como K'mpec e Duras, respectivamente, em "Sins of the Father" e também apareceriam nos mesmos papéis em "Reunion" da quarta temporada. Outros atores com papéis de destaque nesta temporada incluem Saul Rubinek, Tricia O'Neil, Harry Groener e James Sloyan.

Equipe e efeitos Robert Blackman se juntou à equipe de produção antes do começo da temporada como o novo figurinista, tendo sido recomendado por sua predecessora Durinda Rice Wood. Ele posteriormente comentou que não estava interessado no trabalho e aceitou fazer a entrevista de emprego apenas como um favor, mas foi convencido pelo entusiasmo do produtor David Livingston e aceitou o cargo. Uma de suas primeira tarefas foi redesenhar os uniformes da Frota Estelar que tinham sido usados nas duas temporadas anteriores. Estas versões foram feitas de elastano e causavam dores nas costas dos atores. Os novos figurinos custaram três mil dólares e eram feitos de gabardina. Blackman, com a permissão de Roddenberry, mudou as cores primárias dos figurinos para preto com blocos de vermelho, dourado ou azul para significar o ramo de atuação. Esta mudança tinha a intenção de realçar os rostos dos atores e suavizar suas silhuetas. Os figurinos masculinos se tornaram vestes de duas peças, mas os figurinos de McFadden e Marina Sirtis, esta intérprete da conselheira Deanna Troi, continuaram sendo macacões que as forçavam a manter um peso específico. Foi a partir da introdução desses novos figurinos que surgiu a chamada "Manobra Picard", nomeada em homenagem ao costume de Stewart de puxar a túnica de seu uniforme para baixo. Blackman também alterou os uniformes dos almirantes e trabalhou em vários dos figurinos dos alienígenas, incluindo modificações dos trajes klingons e vulcanos. O produtor associado Peter Lauritson foi promovido a coprodutor e Michael Okuda e Rick Sternbach passaram a ser creditados adicionalmente como consultores técnicos por causa da ajuda técnica que passaram a dar aos roteiristas desde o começo da série. Jonathan Frakes, o intérprete do comandante William Riker, se tornou o primeiro membro do elenco a dirigir um episódio, que foi "The Offspring". Ele tinha expressado seu desejo de dirigir para Berman ainda na segunda temporada e este lhe instruiu a primeiro estudar o assunto, assim Frakes passou centenas de horas acompanhando os trabalhos de diferentes departamentos até finalmente receber a oportunidade. Isto abriu portas para que outros membros do elenco de The Next Generation, e posteriormente também de Deep Space Nine e Voyager, seguissem pelo mesmo caminho até a direção. Uma nova miniatura de 1,2 metro da USS Enterprise foi criada na terceira temporada. A produção já tinha à disposição uma miniatura de 1,8 metro e outra de sessenta centímetros, mas ambas pareciam muito lisas quando filmadas, com uma miniatura intermediária permitindo a adição de mais detalhes em relevo para sombreamento. Além disso, a miniatura de 1,8 metro era muito grande e assim difícil de ser armada para filmagem, com a de 1,2 metro mostrando-se muito mais prática. Além disso, a sequência de créditos de abertura também foi alterada a partir desta temporada, com o início mostrando cenas da nave deixando a Via Láctea em vez do Sistema Solar.

Repercussão

Audiência The Next Generation tinha se tornado na segunda temporada a terceira série mais vista em seu horário. A terceira temporada estreou com "Evolution" em 25 de setembro de 1989 e registrou uma audiência de 10,8 por cento no índice Nielsen. Os números caíram pelos episódios seguintes, mas subiram a partir de "Booby Trap" e permaneceram consistentemente acima dos dez por cento, com exceção de três episódios. A maior audiência da temporada foi "Yesterday's Enterprise" em 19 de fevereiro de 1990 com 11,9 por cento, que foi a maior da série desde "Justice" da primeira temporada. A audiência mais baixa foi "Ménage à Troi" com 9,1 por cento, a menor desde "The Emissary", o antepenúltimo episódio da segunda temporada. A temporada terminou em 18 de junho de 1990 com "The Best of Both Worlds", que registrou 10,1 por cento.

Crítica Keith R. A. DeCandido da Reactor achou que foi na terceira temporada que The Next Generation "realmente se destacou". Ele elogiou as mudanças como os novos uniformes e também os roteiristas que se juntaram à equipe. DeCandido achou que alguns dos episódios eram destaques não apenas da série mas de toda a franquia Star Trek, como "Sins of the Father", "Yesterday's Enterprise" e "The Best of Both Worlds". Ele resumiu a temporada afirmando que ela "solidificou [The Next Generation] como um programa que finalmente saiu da sombra de seu predecessor e poderia ser considerado um programa de televisão realmente bom". Michael Simpson da revista SciFiNow achou que esta temporada foi quando a série "se encontrou", considerando que o aumento de qualidade se deu por mudanças na equipe de roteiristas, como a chegada de Piller, Moore e Echevarria. Simpson achou que a terceira temporada foi a mais consistente e memorável da série, com vários episódios tendo sido uma "lição objetiva de trama inteligente e cheia de suspense". Richard Edwards da revista SFX escreveu que foi nesta temporada que a química entre o elenco principal "realmente clicou" e que foi quando The Next Generation começou a "competir com Kirk e cia. pelo manto da encarnação definitiva de [Star Trek]". Ele também destacou "Yesterday's Enterprise", "Sins of the Father" e "The Best of Both Worlds", dizendo que este último era a melhor história de toda a série. Jeremy Conrad da IGN achou que a qualidade técnica da temporada aumentou e estabeleceu o padrão para as futuras, afirmando que "Yesterday's Enterprise" e "The Best of Both Worlds" elevaram a temporada e a "definiram como sua melhor de todos os sete anos".

Prêmios A temporada foi indicada a nove Prêmios Emmy do Primetime. "Yesterday's Enterprise" foi indicado em duas categorias e venceu uma terceira: James Wolvington, Bill Wistrom, Mace Matiosian, Wilson Dyer e Gerry Sackman venceram em Melhor Edição de Som para uma Série; já Alan Bernard, Doug Davey, Chris Haire e Richard Morrison foram indicados em Melhor Mixagem de Som para uma Série Dramática e Dennis McCarthy indicado para Melhor Realização em Composição Musical para uma Série (Trilha Dramática). Richard D. James e Jim Mees venceram em Melhor Direção de Arte para uma Série por "Sins of the Father". "Deja Q" teve duas indicações: Melhor Edição para uma Série (Produção de Câmera Única) para Robert Lederman e Melhor Realização em Efeitos Visuais Especiais para Dan Curry, Ronald B. Moore, Peter Moyer, Steve Price e Don Lee. "Tin Man" também foi indicado em Melhor Realização em Efeitos Visuais Especiais para Robert Legato, Gary Hutzel, Steve Price, Don Greenberg, Erik Nash, Don Lee e Michael Okuda. Michael Westmore, Gerald Quist, June Westmore, Hank Edds, Doug Drexler, John Caglione Jr. e Ron Walters foram indicados em Melhor Realização em Maquiagem para uma Série por "Allegiance". Vivian McAteer, Barbara Lampson e Rita Bellissimo foram indicadas em Melhor Realização em Penteados para uma Série por "Hollow Pursuits". Pelo terceiro ano consecutivo Wil Wheaton foi indicado ao Youth in Film Awards, desta vez na categoria de Melhor Ator Jovem em uma Série de Familiar Fora do Horário Nobre. The Next Generation pelo segundo ano consecutivo recebeu uma indicação, aqui para Melhor Série Familiar Fora do Horário Nobre. Entretanto, nenhum dos dois venceu.

Mídia caseira A coleção da terceira temporada foi lançada em DVD nos Estados Unidos em 2 de julho de 2002 em uma edição que vinha com alguns documentários de bastidores e uma faixa de comentários em áudio para "Yesterday's Enterprise". Todos os episódios da temporada foram remasterizados e lançados em Blu-ray nos Estados Unidos em 30 de abril de 2013 em uma edição que tinha os mesmos extras da edição em DVD, mais novos documentários de bastidores, erros de gravação, propagandas dos episódios, uma homenagem a Piller e faixas de comentários em áudio para "The Bonding", "The Offspring", "Sins of the Father" e uma nova para "Yesterday's Enterprise".

Referências

Bibliografia

Ligações externas Star Trek: The Next Generation no IMDb