Thunder Road (bra: A Lei da Montanha) é um filme noir americano de suspense gótico sulista de 1958, dirigido por Arthur Ripley e escrito por James Atlee Phillips e Walter Wise, baseado roteiro em uma história de Robert Mitchum. Mitchum fora influenciado por um suposto incidente ocorrido em Knoxville, Tennessee, envolvendo um contrabandista transportando uísque ilegal sendo perseguido pela polícia ao longo de um trecho da rodovia de Harlan, Kentucky até Knoxville, conhecido infamemente como "Thunder Road". Considerado um projeto de paixão do Robert Mitchum, ele estrelou no papel principal de Lucas Doolin, um veterano da Guerra da Coreia que retorna à sua casa no interior do leste do Tennessee para administrar as operações de produção ilegal de uísque de sua família, enquanto enfrenta agentes federais que buscam fechar suas operações e mafiosos urbanos que buscam assumir o controle do contrabando na região dos Apalaches. O filme conta com Gene Barry como o agente do Tesouro dos Estados Unidos, Troy Barrett e Jacques Aubuchon como o chefe da máfia de Memphis, Carl Kogan, são os antagonistas. Apesar de um lançamento inicial de bilheteria pouco expressivo, Thunder Road tornou-se posteriormente um filme cult e um clássico dos cinemas drive-in no sul dos Estados Unidos, desde seu lançamento até a década de 1980.

Enredo Lucas Doolin trabalha no negócio familiar de produção ilegal de uísque, transportando a bebida destilada por seu pai para pontos de distribuição clandestinos por todo o Sul em seu hot rod. No entanto, Lucas tem problemas maiores do que simplesmente escapar dos fiscais do governo. Impulsivo e fatalista, ele teme que seu irmão adolescente, Robin, que também é seu mecânico, seja tentado a seguir seus passos. Um gângster urbano agressivo, Carl Kogan tenta assumir o controle dos produtores locais independentes de aguardente e seus pontos de distribuição. Cadáveres de aguardente espalhados pela Thunder Road provam que ele está disposto a matar qualquer um que se coloque em seu caminho. O determinado agente do Tesouro dos Estados Unidos, Troy Barrett, é recrutado para deter o derramamento de sangue e sua causa. As tentativas de Barrett de confrontar Lucas são frustradas. A situação se complica quando uma tentativa de Kogan de matar Lucas resulta na morte de outro contrabandista de uísque, Jed Moultrie, e do agente do Tesouro Mike Williams, que é confundido com ele e com um dos homens de Barrett. Ainda assim, Lucas não recua, uma teimosia e uma hostilidade impulsiva que os moradores da cidade atribuem a uma "mentalidade de metralhador" que, segundo eles, ele trouxe da Guerra da Coreia e que permeia todas as suas ações. Somente com a cantora de boate Francie Wymore ele consegue baixar a guarda, até certo ponto. Ao mesmo tempo, ele resiste firmemente às atenções da bela moça da montanha, a inocente Roxanna Ledbetter, que tem uma queda por ele e teme por sua vida. Quando uma série de batidas do governo destrói os alambiques clandestinos dos produtores locais de uísque ilegal, o pai de Lucas e os outros interrompem a produção "por um tempo" para que o governo lide com Kogan no seu próprio tempo. Apesar disso, Lucas é forçado pelas circunstâncias e pelo seu próprio código de honra a fazer uma última destilação da bebida do pai. Os homens de Kogan enganam Robin com sucesso, fazendo-o concordar em dirigir para eles, o que enfurece Lucas, que manda Robin para casa de ônibus. Barrett tenta convencer Lucas de que é Kogan, e não seu irmão, que o FBI está atrás dele, mas é rejeitado. Na conversa, Barrett revela que Lucas nunca saiu dos Estados Unidos enquanto estava no Exército e dá a entender que ele pode ter passado seu período de serviço na prisão militar, o que explicaria sua raiva reprimida e aparente desejo de morte. Após se encontrar com Francie e, de forma sinistra, entregar-lhe uma grande quantia em dinheiro para guardar, Lucas liga para Kogan para avisá-lo de que irá matá-lo por tentar incriminar seu irmão. Enquanto isso, Roxanna revela tudo o que sabe sobre a última produção ilegal de uísque planejada por Lucas – pelo menos por enquanto, até que as coisas se resolvam – para a esposa do agente Barrett, já que não consegue contatá-lo diretamente. Ele então mobiliza uma grande operação com agentes do FBI e da polícia estadual na tentativa de interceptar Lucas antes que ele seja pego, ou morto, na armadilha de Kogan. Pouco antes de Barrett e seus policiais chegarem e prenderem Kogan por assassinato, Kogan envia seu melhor capanga atrás de Lucas. Lucas, então, vira o jogo contra o motorista de Kogan e o joga para fora da estrada. Os homens de Kogan instalam faixas de pregos para furar os pneus do carro de Lucas, fazendo com que ele despenque em um barranco e colida com um transformador elétrico em curto-circuito. Barrett chega tarde demais para ajudar. Enquanto uma serpente de faróis serpenteia pela estrada solitária da montanha de volta para casa, Robin e Roxanna permanecem sozinhos em silêncio. O mesmo cortejo de enlutados traz de volta para casa o mesmo grupo que trouxe um garoto da região morto pelos homens de Kogan no início do conflito. À medida que os faróis se aproximam, Robin e Roxanna se aproximam lentamente. Sem dizer uma palavra, apertam as mãos e caminham juntos para a escuridão.

Elenco Robert Mitchum como Lucas Doolin Gene Barry como Troy Barrett Jacques Aubuchon como Carl Kogan Keely Smith como Francie Wymore Trevor Bardette como Vernon Doolin Sandra Knight como Roxanna Ledbetter James Mitchum como Robin Doolin Peter Breck como Stacey Gouge, um piloto rival Mitchell Ryan interpreta Jed Moultrie, um motorista Dale Van Sickel como Mike Williams (não-creditado) Francis Koon como Sarah Doolin (não-creditado)

Produção Thunder Road foi uma produção da própria empresa de Robert Mitchum, a DRM. O enredo é vagamente baseado em um incidente de um motorista que transportava uísque ilegalmente teria sofrido um acidente fatal na Kingston Pike em Knoxville, Tennessee, em algum lugar entre Bearden Hill e Morrell Road. De acordo com o escritor do Metro Pulse, Jack Renfro, o incidente ocorreu em 1952 e pode ter sido testemunhado por James Agee que passou a história para o intérprete. Arthur Ripley que não dirigia um filme desde The Chase (1946) aceitou o pedido de Mitchum de ser o cineasta do longa-metragem. Apesar, de haver boatos de que várias cenas de Thunder Road são dirigidas por Robert Mitchum. O papel do irmão mais novo de Lucas, Robin, foi originalmente escrito para Elvis Presley. Porém o empresário Coronel Tom Parker exigiu muito dinheiro levando ao descarte da contratação. O filho de Mitchum, James, acabou sendo escalado para o personagem tendo então, a sua primeira atuação creditada. A maioria das cenas foi filmada em Woodfin, Carolina do Norte ao longo da Rota 19 e no Lake Lure, algumas foram gravadas em Beech, a leste de Weaverville. As sequências incluem a Reems Creek Road, a Sugar Creek Road e o Centro Comunitário de Beech. Thunder Road contou com a participação de motoristas locais de produção ilegal de uísque, com uma câmera montada na traseira de uma caminhonete. Muitas cenas urbanas foram gravadas em Asheville, Carolina do Norte incluindo a explosão do carro de Doolin. Robert Mitchum junto com Don Raye escreveram a trilha sonora de Thunder Road. A música tema do filme, "The Whippoorwill", foi cantada por Keely Smith em seu papel como cantora de boate, e uma versão de estúdio diferente, também cantada por ela, foi lançada como um single de 45 rpm pela Capitol Records. A música de abertura, também coescrita por Mitchum, é "The Ballad of Thunder Road", cantada por Randy Sparks , cujo arranjo diferente foi gravado por Mitchum e lançado como um popular single de 45 rpm, também pela Capitol.

Estilo visual Thunder Road foi filmado no estilo de filme noir porém seu enredo lembra as produções de gângster da era pre-code. Devido ao seu orçamento modesto de produção independente, o longa-metragem tem um visual de filme B, o que levou a Slant Magazine o classificar como "B-Noir". Thunder Road é fortemente influenciado pelo gótico sulista. Por causa de sua ligação com os cinemas drive-in, Thunder Road tem fama de pertencer ao subgênero filme de estrada embora certos elementos ligados a este estilo, como amadurecimento e o arquétipo de caroneiros esteja ausente.

Recepção Em seu lançamento a Variety lançou uma crítica mista por ser "sobrecarregado com um excesso de diálogos e uma abundância de filmagens sem acontecimentos", mas tinha "muita ação automática rápida". O longa-metragem foi exibido frequentemente em drive-in e cinemas de rua na década de 1960 e desde então ganhou a reputação de filme de estrada definitivo, com um público particularmente significativo no Sul dos Estados Unidos. De acordo com Geoff Andrew em sua crítica para a Time Out, o filme se destaca por “uma atuação incrivelmente lacônica de Mitchum, cenas de estrada noturnas intensas e uma visão afetuosa, mas não sentimental, da América rural". Em 2025, o The Hollywood Reporter listou Thunder Road como tendo as melhores acrobacias de 1958. No website agregador de críticas Rotten Tomatoes o filme tem 75% de aprovação com base em 12 avaliações.

Na cultura popular Thunder Road serviu de inspiração para Moonrunners (1975), Smokey and the Bandit (1977) e Moonshine Highway (1996). A cena final do acidente que tira a vida de Lucas Doolin foi utilizada em filmes posteriores, como o telefilme de ficção científica de 1968, They Saved Hitler's Brain e o filme de terror e ficção científica de 1995, Species. O cantor e compositor americano Bruce Springsteen afirmou, durante uma apresentação ao vivo em 1978, que usou o nome do filme para a faixa de abertura de seu álbum de sucesso de 1975, Born to Run tendo sido inspirado pelo pôster, apesar de não tê-lo assistido. No episódio da segunda temporada, "And Coachie Makes Three", da sitcom americana Cheers, os personagens Sam e Coach assistem ao filme como parte de uma longa tradição de assistir a filmografia de Robert Mitchum sempre que um passa na televisão.

Notas

Referências

Bibliografia Roberts, Jerry (1992). Robert Mitchum: A Bio-Bibliography. Westport, Connecticut: Greenwood Press. ISBN 978-0-313-27547-0 Server, Lee (2001). Robert Mitchum: "Baby, I Don't Care". New York: St Martin's Press. ISBN 978-0-312-28543-2