Demétrio Vecchioli

Imagem da matéria: Presidente da Câmara de Sumaré já havia sido preso outras vezes
Imagem da matéria: Presidente da Câmara de Sumaré já havia sido preso outras vezes · Imagem: Source: www.metropoles.com

Hélio Silva (Cidadania) foi detido nesta quarta-feira sob acusação de tráfico de drogas. Ele é candidato a deputado federal

Presidente da Câmara de Sumaré já havia sido preso outras vezes
Presidente da Câmara de Sumaré já havia sido preso outras vezes · Imagem: Source: www.metropoles.com

Demétrio Vecchioli

Montagem colorida com viatura da Polícia Federal na casa de vereador alvo de operação.
Montagem colorida com viatura da Polícia Federal na casa de vereador alvo de operação. · Imagem: Polícia Federal/Divulgação.

09/09/2026 15:29, atualizado 09/09/2026 15:34

Presidente da Câmara de Sumaré já havia sido preso outras vezes
Presidente da Câmara de Sumaré já havia sido preso outras vezes · Imagem: Source: www.metropoles.com

Polícia Federal/Divulgação.

Preso nesta quarta-feira (9/9) em operação contra o tráfico de drogas, o presidente da Câmara Municipal de Sumaré (SP) e candidato a deputado federal Hélio Silva (Cidadania) já havia sido condenado em outras quatro ocasiões por crimes como furto qualificado, receptação de arma de fogo e contravenção. Ele também já foi detido preventivamente por homicídio, mas o processo foi arquivado, por falta de provas.

As penas são antigas e já foram cumpridas. Como as sentenças também transitaram em julgado há muito tempo, ele não teve impedimentos para participar das três últimas eleições municipais, em 2016, 2020 e 2024, sendo eleito vereador de Sumaré nas três ocasiões, sempre pelo Cidadania, que antes se chamava PPS.

A primeira condenação aconteceu em 1995, já em Sumaré, quando ele era réu primário e foi condenado somente ao pagamento de multa, por contravenção. Naquele mesmo ano ele seria também condenado por furto qualificado, com pena de 9 meses e 10 dias de reclusão, em regime aberto.

Ele voltaria a ser preso, de forma preventiva, em Americana (SP), em 2007, por homicídio, depois de a polícia encontrar com ele a arma utilizada no assassinato de Rodrigo Belarmino Garcia, em 2003, em Sumaré. Hélio negou as acusações e disse que comprou havia comprado o revólver de um homem, Benedito, que havia ido até a padaria onde ele trabalhava lhe oferecer a arma – à polícia, o hoje vereador relatou que efetuou a compra porque considerava efetuar roubos para pagar as dívidas da padaria.

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Um investigador da polícia civil revelou que, quando apurava o crime, recebeu uma denúncia anônima dizendo que Hélio era o assassino. A denúncia também dizia que ele era conhecido como “Mister M”. O policial descobriu, porém, que a cidade tinha outro “Mr M”, também chamado “Alemão”, que andava com um “Ditão”. As ex-companheiras destes dois confirmaram que o primeiro tinha uma desavença com a vítima e que o segundo vendeu uma arma para Hélio. Uma testemunha também disse ter visto os dois na cena do crime, e a acusação contra Hélio acabou arquivada – paralelamente, ele foi condenado pela receptação do revólver.

O vereador, antes de entrar na política, também foi investigado por tráfico de drogas em 2005. O inquérito, porém, foi arquivado em 2011. Antes, em 1999, outra acusação contra ele foi arquivada, esta por furto. Depois, já como vereador, ele chegou a ser acusado de abuso de autoridade, em 2021, em novo inquérito arquivado.

Agora, as investigações que resultaram na Operação Archimagus identificaram indícios relacionados ao financiamento para a compra de drogas, logística de armazenamento e venda de entorpecentes em pontos de tráfico no município de Sumaré. Policiais da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) apuram suposto uso de imóveis e de pessoas jurídicas no esquema. Um dos alvo de busca e apreensão é um sítio, de acordo com as investigações, utilizado como base para a guarda de entorpecentes.

Ao cumprirem mandado de busca e apreensão, os policias encontraram duas armas, 105 munições, joias de ouro, além de documentos e R$ 18 mil em espécie na casa de Hélio. Ele é acusado de ter participação na estrutura que inclui financiamento, logística e venda de drogas por traficantes em Sumaré.

Além do candidato a deputado federal, a polícia prendeu Maikon Baptista da Costa, apontado como integrante de uma facção criminosa paulista. Na casa desse segundo alvo, os policiais apreenderam R$ 6,7 mil em espécie, um celular e quase 1 quilo de maconha.

A Câmara Municipal de Sumaré, em nota, reforçou que a investigação tem caráter pessoal contra Hélio Silva e, até o momento, não há qualquer informação que relacione o caso às atividades institucionais do Poder Legislativo. “Por fim, ressalta que o vereador, assim como qualquer cidadão, está amparado pelo princípio constitucional da presunção de inocência”, diz o texto.

A defesa jurídica pessoal do vereador está realizando o levantamento das informações e dos fatos relacionados à investigação, para que os esclarecimentos necessários sejam apresentados no momento adequado.