Em 1960, De Jesus foi homenageada pela Associação Cultural do Negro (ACN). No terceiro número do jornal Níger, dessa associação, publicou-se um editorial sobre a figura da escritora e a mulher negra e um poema apócrifo do poeta, escritor e crítico Oswaldo de Camargo, considerado um dos principais nomes da literatura negra brasileira contemporânea. O jornalista e líder do movimento negro brasileiro José Correia Leite relatou que foi feita na sua casa uma homenagem a ela. No entanto, o próprio Correia Leite argumenta em depoimentos posteriores que houve resistência ao reconhecimento e à obra de Carolina na associação. As associações negras paulistanas também foram importantes para a outorga do "Título de Cidadã Paulistana" a De Jesus no mesmo ano de 1960, ocasião em que estavam presentes o general Porfírio da Paz, vice-Governador de São Paulo, o escritor e teatrólogo Solano Trindade. Nessa ocasião ela foi relacionada, pela sua relevância literária, com Machado de Assis e a Josué de Castro. Também em 1960, De Jesus foi nomeada "Membro Honorária" da Academia de Letras da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Em 1971, a televisão alemã West Germans gravou o documentário Favela - Das Leben in Armut ("Favela: a Vida na Pobreza"), realizado pela alemã Christa Gottmann, a partir do livro Quarto de Despejo, tendo Carolina como protagonista. A produção só foi exibida no Brasil em 2014, depois que o Instituto Moreira Salles (IMS) – que detém em seu acervo dois cadernos manuscritos da escritora desde 2006 – localizou o curta-metragem de 16 min. na Alemanha.
Póstumas Em 2013, o Projeto Vida por Escrito - Organização, classificação e preparação do inventário do arquivo de Carolina Maria de Jesus, foi contemplado pelo Edital Prêmio Funarte de Arte Negra, Categoria Memória. Em 2014, como resultado do Projeto Vida por Escrito foi lançado o "Portal Biobibliográfico de Carolina Maria de Jesus". Também em 2014, a Editora Letraria e a Edições Me Parió Revolução, republicaram a obra Onde estaes Felicidade?, incluindo textos originais, sete textos de outros autores sobre sua escrita, um ensaio fotográfico denominado "Favela" (realizado em São Savério e no Parque Bristol em São Paulo) e fotos dos manuscritos originais da autora. Essa obra contou com o apoio de Vera Eunice Lima de Jesus, filha de Carolina. O livro, organizado por Maria Nilda de Carvalho Motta e Raffaella Fernandez está disponível gratuitamente em formato de e-book. Em 2015, com o resultado do Projeto Vida por Escrito, foi lançado o livro Vida por Escrito – Guia do Acervo de Carolina Maria de Jesus, organizado por Sérgio da Silva Barcellos. O guia, publicado pela Editora Bertolucci, é o resultado das pesquisas e trabalhos do projeto, que organizou, classificou e catalogou o acervo da escritora e traz também um resumo de seus romances e peças de teatro inéditos e ensaios sobre sua obra. Em 2016, foi publicada uma biografia em quadrinhos Carolina, de autoria de João Pinheiro e Sirlene Barbosa. A HQ, narra sua infância pobre em Minas Gerais, sua vida sofrida em São Paulo, a fama, as ilusões, as decepções e o esquecimento. Em 2018, horas antes de ser assassinada, no dia 14 de março, Marielle Franco citou Carolina Maria de Jesus em um tuíte feito numa reunião com mulheres jovens feministas antirracistas com a frase: "hoje faz 104 anos do nascimento de Carolina Maria de Jesus. #Nossospassosvêmdelonge". Em 2019, o doodle do Google homenageou a escritora em 14 de março, dia em que completaria 105 anos. Na década de 2000, foi inaugurado no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, o Museu Afro Brasil, cuja biblioteca leva o nome de 'Carolina Maria de Jesus'. Possui cerca de 6.800 publicações, com especial destaque para uma coleção de obras raras sobre o tema do Tráfico Atlântico e Abolição da Escravatura no Brasil na América Latina, Caribe e Estados Unidos. Em 2021, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu o título de "Doutora Honoris Causa" à escritora, pelo Conselho Universitário (Consuni) no dia 25 de fevereiro de 2021. Embora seja uma homenagem póstuma, a UFRJ reconheceu, com a concessão do título, a luta e coragem De Jesus. A aprovação da outorga da distinção foi unânime e por aclamação, e foi transmitida pela WebTV UFRJ. Em 2021, foi publicada, pela editora Companhia das Letras, a edição integral dos diários que compõe Casa de Alvenaria: Diário de uma Ex-favelada em dois volumes, iniciados em 30 de agosto de 1960 até dezembro de 1963. O primeiro volume abarca os meses em que De Jesus morou em Osasco, em 1960, após deixar a favela do Canindé. O segundo volume de Casa de Alvenaria inclui diários que se estendem até dezembro de 1963, com conteúdo inédito ou fora de circulação há décadas. Em 2021, o Instituto Moreira Salles (IMS), lançou a exposição Carolina Maria de Jesus: Um Brasil para os Brasileiros, dedicada à trajetória e à produção literária da autora mineira que se tornou internacionalmente conhecida, apresentando sua produção autoral, além de destacar suas incursões como compositora e cantora. Em 2022, para comemorar o aniversário de 108 anos da escritora, no dia 14 de março, o IMS lançou um tour virtual pela exposição Carolina Maria de Jesus: um Brasil para os Brasileiros, a mostra mais visitada do instituto em 2021. Em 2022, foi enredo da Escola de Samba Colorado do Brás no Carnaval de São Paulo. Em 2023 o Ministério da Cultura (MinC) lançou o Prêmio Carolina Maria de Jesus de Literatura produzida por mulheres. Foram destinados R$ 2 milhões para selecionar 40 livros inéditos escritos por mulheres ficcionistas nas categorias romance, contos, crônicas, roteiro de teatro e quadrinhos. Cada autora recebeu R$ 50 mil. A intenção do prêmio é promover, valorizar e difundir a literatura brasileira feita por mulheres, incentivar novas escritoras e estimular a formação de leitores de literatura feita por mulheres. Em 2024, o Parque Municipal Américo Renné Giannetti, em Belo Horizonte, recebeu uma estátua da escritora junto com a estátua de Lélia Gonzalez. As obras do artista Léo Santana integram o Circuito Literário de Belo Horizonte. Nos dias 15, 16 e 17 de outubro de 2024, a escritora foi homenageada nos Estados Unidos com palestras ministradas na Columbia University em Nova York, no The People’s Forum em Nova York e na Georgetown University em Washington DC. Em 2025, foi anunciado que a obra Quarto de Despejo iria ganhar uma adaptação para os cinemas. A autora foi o tema do enredo da Escola de Samba Unidos da Tijuca no Carnaval do Rio de Janeiro de 2026.
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