Raimundo dos Santos Souza, popularmente conhecido como Mestre Sacaca (Macapá, 21 de agosto de 1926 — Macapá, 1999), foi um curandeiro, mateiro, artesão e profundo conhecedor das plantas medicinais da Amazônia, reconhecido como uma das principais referências da medicina tradicional no estado do Amapá. Também teve papel relevante na preservação da cultura tucuju, destacando-se como tocador de caixa de marabaixo e fabricante de instrumentos tradicionais. Foi uma importante liderança comunitária e participou da fundação da União dos Negros do Amapá (UNA), organização voltada à valorização da cultura e da identidade afro-amapaense. Conhecido como “doutor da floresta” ou “curador da floresta”, era procurado por moradores de diversas regiões em busca de tratamentos naturais, especialmente por meio do uso de chás, ervas medicinais e práticas tradicionais de cura.

Biografia Raimundo dos Santos Souza nasceu em 1926, no então Território Federal do Amapá. Desde a juventude, desenvolveu amplo conhecimento sobre a floresta amazônica, adquirindo saberes relacionados às propriedades terapêuticas das plantas por meio da observação, da experiência prática e da tradição oral, elementos centrais da medicina tradicional da região. Casou-se com Madalena Souza, reconhecida como a primeira Miss Amapá, com quem teve 14 filhos. Paralelamente à sua atuação como curandeiro e mateiro, envolveu-se intensamente com manifestações culturais tradicionais, especialmente o marabaixo, no qual atuava como tocador de caixa e artesão de instrumentos. Ao longo de sua vida, consolidou-se como uma referência no conhecimento tradicional amazônico, sendo amplamente procurado por pessoas em busca de tratamentos naturais. Seu saber despertou o interesse de pesquisadores e instituições, contribuindo para o reconhecimento da importância da medicina tradicional no contexto científico e cultural. Em reconhecimento à sua contribuição, recebeu o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Amapá.

Legado

Em novembro de 2018, Mestre Sacaca foi condecorado postumamente pela Divine Académie Française des Arts, Lettres et Culture, que lhe conferiu um título honorífico acompanhado de suas mais altas insígnias, em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à sociedade e à humanidade. Seu legado também motivou a criação do Centro de Pesquisas Museológicas Museu Sacaca, em Macapá, instituição dedicada à preservação de sua memória e ao desenvolvimento de pesquisas relacionadas aos saberes tradicionais amazônicos, incluindo estudos e iniciativas voltadas à produção de medicamentos fitoterápicos. Mestre Sacaca é considerado uma figura emblemática da cultura amapaense e um símbolo da valorização dos conhecimentos tradicionais da Amazônia, sendo lembrado por sua atuação na medicina popular, na preservação cultural e na defesa das tradições locais.

Homenagem no Carnaval Em 2026, ano do centenário de seu nascimento, Mestre Sacaca foi homenageado como enredo da escola de samba Estação Primeira de Mangueira. Com o enredo "Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra", a escola destacou sua trajetória, sua contribuição à medicina tradicional e sua importância como símbolo da cultura amazônica e afro-brasileira. O desfile ocorreu no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, e a agremiação terminou na sexta colocação.

Referências