Balún Canán é uma novela de 1957 escrita pela poeta e escritora mexicana Rosario Castellanos, sua primeira obra. Narra os confrontos entre indígenas e os proprietários das terras (brancos ou mestizos) no estado de Chiapas que, embora nunca chegaram a se entender durante a época colonial, trataram de começar a conviver melhor durante a reforma agrária que implementou o presidente Lázaro Cárdenas del Río na segunda metade da década de 1930. O romance é considerado como uma das obras indigenistas mais importantes na literatura mexicana, e um dos livros fundamentais da literatura latino-americana.
Tinte autobiográfico e contexto histórico Rosario Castellanos foi filha de proprietários das terras na população Comitán, cujo nome em maya antigo era Balunem K'anal, que significa nove estrelas ou nove testemunhas. Viveu sua infância com uma nana indígena chamada Rufina. Na segunda metada da década de 1930, o presidente Lázaro Cárdenas iniciou uma reforma agrária que expropriou latifúndios e permitiu a distribução de mais de 20 milhões de terras para povos indigenas e ejidatarios. Nesse periodo, a familia de Castellanos emigrou à Cidade de México e deixou a casa na Comitán. Castellanos escreveu a novela plasmando as experiências de sua infancia no mundo antagónico de terratenientes e indígenas do que foi testemunha. Ao publicar-se o livro, Castelhanos dedicou-lho a Emilio Carballido e a seus amigos de Chiapas.
Estrutura A novela divide-se em três partes. A primeira e a terceira parte são narradas por uma menina de sete anos, filha de uma família de donos-de-terras. O relato da segunda parte acontece com um narrador omnisciente em tempo pretérito. Esta mudança de estilo apresenta a narração de uma perspectiva diferente: o descontentamento dos indígenas, o trato infrahumano ao que eram submetidos pelos donos-de-terras, os brotes de violência e a reforma agrária impulsionado pelo governo de Lázaro Cárdenas.
Síntese César Argüello é dono da fazenda Chactajal e pertence a uma das principais famílias de Comitán. Devido à nova lei de educação promulgada pelo governo, os donos-das-terras são obrigados a dar educação primária aos meninos de seus trabalhadores. Para cumprir com a lei, César leva a seu sobrinho Ernesto como professor, ainda sem ele saiber o idioma tzeltal e não se pode comunicar com seus alunos, pois os meninos indígenas não falam “o castilla”.
Personagens A Niña Argüello, a menina protagonista que não tem nome na história. A Nana que, ao igual que a protagonista, não tem nome na narração. Mario Argüello, irmão menor da protagonista que morre de apendicitis, mas acredita-se que tenha sido por causa da bruxaria. César Argüello, pai e padrão da fazenda. Zoraida, mãe da menina, vinte anos menor que seu esposo. Francisca, prima de César Argüello, é soltera, dominante e temida pelos índios. Tem tratos com o Dzulum, uma espécie de demónio. Romelia, prima de César Argüello Matilde, prima de César Argüello, relaciona-se de maneira incestuosa com seu sobrinho Ernesto. Fica grávida, decide ter um aborto e perde-se na selva. Ernesto, filho bastardo do irmão de César Argüello, é assassinado aparentemente por ter maltratado aos meninos indígenas, mas mais bem para evitar que entregue uma carta. Doña Nati, mãe de Ernesto, mulher branca mas pobre que se envolveu com o irmão de César. Amalia, dona-das-terras soltera que deseja ingressar como religiosa. Jaime Rovelo, fazendado e amigo de César Argüello. Tio David, quem não é parente da família, mas joga com os meninos, quem por instrução adulta lhe dizem tio para que se senta menos sozinho. Gonzalo Utrilla, afihado de César, trabalha para o governo e inspecciona que as fazendas cumpram com a lei de educação promulgada. Felipe Carranza Pech, um indígena que reclama os direitos de seu povo, fala castelhano e está informado da promulgação das novas leis.
No cinema Balún Canán (1977), filme mexicano dirigida por Benito Alazraki.
Referências
Bibliografia Castellanos, Rosario (2003). Balún Canán. México: Editorial Planeta DeAgostini. ISBN 970-726-173-0