Shinobi: Art of Vengeance é um jogo eletrônico de ação em plataformas da franquia Shinobi da Sega. Produzido pela Lizardcube, é o retorno da série após um hiato de mais de uma década. O jogo mostra o protagonista e mestre ninja Joe Musashi, líder do Clã Oboro, em busca por vingança contra Lorde Ruse, chefe da organização paramilitar ENE Corp que atacou sua família. O título foi disponibilizado para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X/S, Nintendo Switch e Microsoft Windows. O jogo é o primeiro lançamento de uma iniciativa da Sega para revitalizar algumas de suas franquias que permaneceram inativas por muito tempo. Seu desenvolvimento foi terceirizado para a Lizardcube após o estúdio ter criado uma relação de confiança através de outros trabalhos com a empresa japonesa. Um produtor da Sega trabalhou com a equipe do jogo para modernizar a série Shinobi de forma que o novo título conseguisse se destacar dentre os padrões atuais para um jogo de ação. O projeto foi guiado de forma a enfatizar o combate e o estilo de arte. Shinobi: Art of Vengeance foi lançado em 29 de agosto de 2025. Críticas e análises a seu respeito foram em maioria positivas, apontando o jogo como um retorno triunfal para a franquia. Suas mecânicas de luta e estilo visual foram amplamente elogiados, enquanto fatores como exploração e design das fases e protagonista silencioso receberam comentários mais variados. Além de ser bem recebido por críticos e fãs, Art of Vegeance concorreu em várias premiações da indústria de videogame, incluindo à categoria "Melhor Jogo de Ação" no The Game Awards 2025.

Jogabilidade

Shinobi: Art of Vengeance é um jogo de plataforma de ação 2D. O jogador controla o ninja Joe Musashi através de vários níveis, onde o objetivo é derrotar os chefes no final de cada um. Musashi está equipado com uma katana para combos corpo-a-corpo e kunais para atacar a distância, mas também pode usar ataques mágicos elementais chamados "Ninpo" ou suas versões mais poderosas "Ninjutsu" que afetam todos os alvos na tela. Os inimigos podem ser atordoados e marcados, permitindo que Musashi realize a "Execução Shinobi", um avanço veloz em que ele mata todos os inimigos marcados de uma só vez. Utilizar esse golpe gera mais ouro, a moeda do jogo, que ataques normais, além de recuperar vida e kunais. Amuletos também podem ser equipados, adicionando ao personagem bônus modificadores de combate. Como ninja, Musashi é muito ágil, sendo capaz de realizar salto duplo, corrida pelo ar e esquiva rolando. À medida que os jogadores progridem, poderão gastar ouro na Loja Yokai para desbloquear novas ferramentas de movimentação, técnicas de combate e melhorias de vida e dano. Ao contrário dos jogos anteriores, porém, este se baseia mais na exploração ao estilo Metroidvania para encontrar segredos e conteúdo secundário. Há um mapa para conferir o terreno de cada fase. Algumas áreas só podem ser adentradas com itens e habilidades que serão liberadas futuramente, incentivando os jogadores a revisitar fases depois de concluí-las. Os jogadores podem re-jogar cada missão por inteira ou simplesmente usar a viagem rápida entre pontos determinados e pular a maior parte da travessia e das lutas. Após a conclusão de cada fase, elas podem ser repetidas no Modo Arcade, que desafia os jogadores a completar a fase o mais rápido possível. Duas fases específicas possuem jogabilidade alterada. Em ambas o jogador precisa lidar com uma paisagem de movimentação automática: na primeira montando em Yamato, o enorme cão companheiro de Musashi, e, na segunda, surfando após ser jogado de um avião. O desafio consiste em desviar dos obstáculos e inimigos que se aproximam sem poder parar, e com chances limitadas de recuperar vida e kunais.

Desenvolvimento Shinobi: Art of Vengeance foi revelado durante o The Game Awards 2023 como parte da iniciativa Power Surge da Sega para reviver algumas de suas propriedades intelectuais. De acordo com Kagasei Shimomura, diretor do departamento de produção de conteúdo da Sega, ele e sua equipe examinaram o histórico de mais de 60 anos da empresa e concluíram que trazer de volta várias franquias inativas seria vantajoso para a companhia e atrairia uma base de fãs mais ampla. Os desenvolvedores do estúdio francês Lizardcube, que anteriormente trabalharam com a Sega no remake de Wonder Boy: The Dragon's Trap (2017) e Streets of Rage 4 (2020), foram quem levantaram a ideia de começar com Shinobi e então se tornaram os encarregados de um novo título. A editora, no entanto, assumiu um papel mais ativo no desenvolvimento de Art of Vengeance, com o produtor do jogo, Toru Ohara, liderando uma equipe para colaborar com a Lizardcube e incentivando-os a criar um estilo artístico mais impactante do que o planejado inicialmente. Os três primeiros jogos da franquia foram citados pela Lizardcube como suas fontes de inspiração, embora eles também tenham tentado modernizar a franquia refinando o combate e introduzindo um sistema de combos para competir com jogos de ação atuais. Ohara mencionou o gênero Metroidvania como referência para expandir o escopo das fases e, assim, expandir a exploração do jogador. Todavia, ele fez questão de não tornar a exploração o elemento principal acima das batalhas. Ben Fiquet, o diretor do jogo, revelou que buscou referências em títulos anteriores para reaver ambientações e golpes de Joe Musashi, bem como criar novos elementos a fim de transmitir a sensação de ser um guerreiro ninja. Ele relata que o time se divertiu muito desenvolvendo as habilidades e utensílios de Musashi, porém isso deixou o personagem muito poderoso. Para contornar o problema, alguns tipos de inimigo receberam modificações que os fortaleciam, tais como armaduras e contra-ataques. Fiquet trabalhou em conjunto com Julian Nguyen-You, o diretor de cenários, para garantir um estilo de arte consistente ao longo do projeto. A dupla acreditava que a direção de arte deveria ser um dos pontos fortes de Art of Vengeance. A trilha sonora do jogo foi composta por Tee Lopes e Yuzo Koshiro, ambos já tendo trabalhado com a Sega em diferentes épocas.

Lançamento Após o anúncio de inúmeros novos títulos para franquias paralisadas mostrar um novo Shinobi em desenvolvimento, foi somente no State of Play de fevereiro de 2025 que Art of Vengeance teve seu nome e primeiro trailer formalmente revelados, bem como a data de lançamento para 29 de agosto do mesmo ano. Uma seção do jogo ficou exposta para testes durante a Summer Game Fest 2025. Posteriormente, uma demo foi disponibilizada em julho contendo uma versão adaptada da primeira fase do jogo e a opção de refazê-la no Modo Arcade. O jogo foi lançado oficialmente na data planejada para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X/S, Nintendo Switch e Microsoft Windows com desconto na pré-venda e com diferentes edições físicas e digitais apresentando material extra diversificado. Poucos dias após o lançamento, Art of Vengeance também foi vendido exclusivamente na Steam em um pacote de temática ninja ao lado de Ninja Gaiden: Ragebound da Koei Tecmo.

Conteúdo para download Art of Vengeance recebeu uma DLC com cinco níveis especiais, dentre eles três com chefões trazidos de outras franquias da Sega: Dr. Eggman de Sonic the Hedgehog, Goro Majima de Yazuka e Death Adder de Golden Axe. Essa expansão também trouxe novas vestimentas, músicas, habilidades, e dois modos de Boss Rush, visando aumentar a rejogabilidade. Junto dela veio uma atualização acrescentando um Modo Difícil para o jogo.

Recepção

Shinobi: Art of Vengeance registrou críticas majoritariamente positivas em sites agregadores de críticas, com todas as versões em diferentes plataformas estando na casa das notas 80 no Metacritic, o que configura uma recepção geralmente favorável, e uma nota geral de 87 no OpenCritic. O jogo foi aclamado por revitalizar uma série clássica com mecânicas modernas e respeitar o seu legado. O sistema de combate e a fluidez da jogabilidade foram os elementos mais elogiados pela crítica. Analistas destacaram a nova mecânica de Execução Shinobi, que permite finalizar inimigos instantaneamente ao preencher uma barra de postura, como um sistema "técnico", "profundo" e "viciante". A Nintendo Life descreveu o combate como um dos mais bem implementados em jogos de ação 2D, ressaltando que o controle sobre Joe Musashi é ágil e preciso. O GamesRadar+ observou que o foco em execuções cria um ritmo único onde o jogador muitas vezes evita matar os inimigos imediatamente para maximizar as recompensas. O estilo visual e as animações também foram amplamente enaltecidos, com comparações ao trabalho anterior do estúdio em Streets of Rage 4. A análise do IGN Brasil descreve a arte feita à mão como "estonteante" e "capaz de rivalizar com títulos como Hollow Knight e Ori and the Blind Forest. A ambientação, que mescla o Japão tradicional com elementos industriais e futuristas, foi considerada um destaque artístico e uma evolução nas capacidades da Lizardcube, especialmente pelo uso de filtros que dão ao jogo um aspecto de "pintura em aquarela". A trilha sonora, composta por Tee Lopes e Yuzo Koshiro, também foi recebida de forma entusiástica por misturar batidas contemporâneas, particularmente o uso de EDM, com instrumentos tradicionais japoneses. A estrutura dos cenários e o sistema de progressão, que incorpora elementos de Metroidvania em fases lineares, dividiram ligeiramente as opiniões. Enquanto a GameRant elogiou essa estrutura por manter o foco na ação sem o "backtracking excessivo" típico do gênero, permitindo que o jogador não seja obrigado a retornar a áreas anteriores, o GamesRadar+ criticou o design de níveis, descrevendo-o como "longos túneis vazios" em certos momentos e prejudicado por saltos cegos onde "espera-se que haverá uma plataforma do outro lado". O nível de desafio foi considerado satisfatório por muitos, especialmente nas áreas secretas conhecidas como "Rift Challenges", embora algumas avaliações tenham achado os chefes finais previsíveis ou a campanha principal curta demais. Em termos de enredo e narrativa, a recepção demonstrou a história como um ponto de menor brilho em comparação com a execução técnica. O roteiro foi descrito como "simples" e "minimalista", servindo apenas como um pretexto para a jogabilidade. O fato de Joe Musashi ser um protagonista silencioso que apenas emite grunhidos durante os diálogos foi considerado tanto um desperdício de desenvolvimento de personagem quanto uma fonte de "alívio cômico".

Prêmios e Indicações

Notas

Referências