O rover Curiosity, da NASA, encontrou pequenos buracos incomuns no solo de Marte enquanto avançava pelo Vale Grande, no Monte Sharp. As cavidades são largas e rasas e não se parecem com marcas já conhecidas no planeta, deixando os cientistas sem uma explicação clara para sua origem.

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O robô registrou as formações em detalhes para ajudar na investigação. A equipe agora tenta descobrir se elas surgiram de um processo incomum de erosão, de alguma característica das rochas ou de outro fenômeno ainda não identificado.

Os buracos encontrados pelo Curiosity não têm pedras ou nódulos próximos que expliquem sua formação. – Imagem: NASA/JPL-Caltech/MSSS

Buracos fora do padrão

Pequenas cavidades no solo marciano costumam ter uma explicação. Pedras ou nódulos minerais podem ficar presos em uma rocha mais macia e resistir por mais tempo à erosão. Quando o material ao redor se desgasta, esses elementos acabam deixando pequenas depressões.

Os buracos vistos pelo Curiosity, porém, não seguem esse padrão. São largos e rasos, e não há pedras ou nódulos próximos que pareçam ter ocupado as cavidades.

Entre as características observadas estão:

- cavidades pequenas, largas e rasas;

- ausência de pedras ou nódulos associados;

- localização no Vale Grande;

- origem ainda desconhecida.
Imagens ajudam a investigar
Para examinar as marcas, o Curiosity usou o Mars Hand Lens Imager (MAHLI), que fotografou os buracos de perto. As câmeras Mastcam também registraram imagens sobrepostas do terreno.
A combinação das fotografias permite criar modelos tridimensionais da superfície. Com eles, os cientistas conseguem medir o formato e a profundidade das cavidades e tentar entender como elas se formaram.
A descoberta ocorreu em uma área relativamente nova do trajeto do rover. Antes, o Curiosity passou meses estudando o “boxwork”, uma formação de cristas mineralizadas resistentes que teria sido moldada por águas subterrâneas bilhões de anos atrás.
Agora, avança pelas camadas ricas em sulfatos acima dessa região.
As cavidades foram encontradas no Vale Grande, entre as camadas do Monte Sharp. – Imagem: NASA/JPL-Caltech/MSSS
Uma subida cheia de pistas
O terreno muda conforme o Curiosity ganha altitude. Textura, composição química e resistência à erosão variam entre as camadas de rocha, que podem preservar informações sobre diferentes momentos da história geológica de Marte.
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No fim de agosto de 2026, o rover alcançou um ganho de elevação de 1.000 metros durante a subida. O Monte Sharp chega a 5,5 quilômetros acima do piso da cratera Gale, e suas camadas sedimentares registram diferentes períodos de deposição no planeta.
O caminho também revelou mudanças rápidas na aparência das rochas. Algumas camadas são mais ásperas e acinzentadas e resistem ao desgaste de maneira diferente das vizinhas. Para investigar a causa, a equipe direcionou o Curiosity para analisar a composição química desse material.
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O mistério continua
Os dados sobre as mudanças nas rochas ainda precisam de mais tempo de análise. O mesmo vale para os buracos.
Por enquanto, os cientistas consideram diferentes possibilidades: um processo de erosão que ainda não foi reconhecido, uma propriedade incomum das rochas ou alguma outra explicação. As próximas análises deverão ajudar a esclarecer como essas pequenas cavidades apareceram no caminho do Curiosity.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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Tags: curiosity Marte Nasa


