A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça em afastar o diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues aumenta a pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), por um posicionamento sobre a crise na Corte, mas aliados dizem que os efeitos seguem limitados.Nesta terça-feira (8/9), o relator do Caso Master tirou Andrei do cargo por 90 dias por indícios de monitoramento ilegal sobre o ministro, descritos em relatórios de inteligência citados pelo ministro Alexandre de Moraes na semana passada na decisão em que pedia a inclusão de Mendonça no inquérito das Fake News.Mendonça e Moraes entraram em uma disputa declarada na semana passada, quando o relator do Master tirou o sigilo da ação sobre a relação entre Moraes e Daniel Vorcaro. O magistrado retaliou e disse que o colega aparelhava a investigação para mirar desavenças políticas como, além dele, Davi Alcolumbre.O presidente do Senado voltou a ser pressionado pela oposição para dar andamento a pedidos de impeachment em meio à crise no STF. Agora, Alcolumbre também passou a ser alvo de fogo amigo, com aliados criticando sob reserva a recusa do senador amapaense em dar andamento às investigações por supostos crimes de responsabilidade do magistrado.Na semana passada, quando os últimos capítulos da crise ainda não tinham sido colocados, Alcolumbre já tinha desconversado sobre o tema, tentando se afastar de polêmicas. Ele deu a entender que acha exagerada a quantidade de pedidos de impeachment de ministros do Supremo.“A minha percepção é que tem 109 pedidos. Isso não é normal. 109 solicitações de pedido de impeachment no Congresso dos 10 ministros do Supremo”, afirmou Alcolumbre ao ser questionado sobre por que não dá início aos processos.Lado a ladoApesar do descontentamento, quem questiona as ações de Alcolumbre não tem expectativa de que o presidente do Senado faça qualquer movimento antes das eleições. Um líder ouvido pelo Metrópoles sob reserva disse que a inércia coloca em xeque até mesmo a reeleição do senador à presidência da Casa em 2027.Aliados ponderam que o desgaste público e interno no Senado tem fragilizado a base de apoio ao senador amapaense e que, diante da tendência de maior acirramento dos ânimos à medida que as eleições se aproximam, o cenário é de piora.“Acho que está esperando a situação acalmar. E não vai. Chegou num ponto incontornável […] A posição dele é delicada, tem que equilibrar entre papel institucional e responsabilidade política”, disse um senador sob reserva.Por outro lado, outra ala aliada a Alcolumbre avalia que o efeito da decisão de Mendonça tem maiores implicações eleitorais do que relacionadas ao posicionamento do presidente do Senado. A crise no STF serviu como combustível para a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência, que defende Mendonça e a saída de Moraes para “salvar” a Corte. Leia também Milena TeixeiraAlcolumbre manterá freio a pautas contra STF apesar de avanço da crise BrasilDireita pressiona STF e Alcolumbre no 7/9; esquerda foca soberania BrasilPor impeachment de Moraes, Alcolumbre e Flávio entram em rota de colisão Igor GadelhaA indireta de Janja a Alcolumbre sobre o fim da escala 6×1 Escalada da criseFevereiro de 2026Relatoria do inquérito que apura fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master no STF sai de Dias Toffoli e passa para André Mendonça, após surgirem suspeitas de ligação entre Toffoli e Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco.1º/9/2026 André Mendonça retira o sigilo de um relatório de 218 páginas da Polícia Federal. O documento reúne extração do celular de Vorcaro com 52 mensagens enviadas a um contato atribuído pela PF a Alexandre de Moraes.No mesmo dia, ocorre discussão nos bastidores do STF entre Moraes e Mendonça. Fontes relatam que Moraes questionou a legalidade de diligências determinadas por Mendonça para identificar interlocutor das mensagens.Nesta mesma data, o PGR Paulo Gonet alega “dupla nulidade”: Mendonça teria excedido a competência ao mandar a PF aprofundar investigação envolvendo pessoa com foro (Moraes), sem autorização do plenário do STF. A ordem teria sido dada sem pedido do MP e sem iniciativa da autoridade policial.Pressionado por pares no Congresso, Davi Alcolumbre, presidente do Senado, tenta se manter distante da crise. Ele não sinaliza dar andamento a nenhum dos pedidos de impeachment de ministros do STF. “Isso não é normal”, afirma ele em relação à quantidade de pedidos (109, no total).2/9/2026Partido Novo protocola petição na Petição 16.662 pedindo afastamento e prisão preventiva do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, com base em menções ao nome “Andrei” nas mensagens de Vorcaro extraídas pela PF.3/9/2026Moraes levanta sigilo de seis relatórios de inteligência da PF produzidos entre 3 e 31/08, enviados pelo diretor-geral Andrei Rodrigues ao STF. Os relatórios analisam a atuação de Mendonça nos casos Banco Master e INSS.Usando como base o chamado Inquérito das Fake News (aberto em 2019), Moraes encaminha ao presidente do STF, Edson Fachin, petição de 20 páginas apontando “fortes indícios” de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade contra Mendonça.Moraes anexa relatórios de inteligência da PF que apontam que Mendonça teria extrapolado a função de supervisão judicial, interferido em diligências, tido acesso antecipado a acervo bruto de dados e direcionado investigações.Os relatórios têm ressalva de que são conjecturas sem valor probatório definitivo.4/9/2026Fachin concentra todos os pedidos em um procedimento único, instaura apuração interna e dá prazo de 5 dias úteis, até 11/9, para manifestações de Moraes, Mendonça, do PGR Paulo Gonet e do diretor-geral da PF Andrei Rodrigues.Fachin também retira do Inquérito das Fake News o pedido de investigação contra Mendonça, tentando evitar uma escalada ainda maior da crise.8/9/2026Ministro André Mendonça determina afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da PF e de Leandro Almada da Costa, diretor de Inteligência Policial.Motivação alegada por Mendonça: “Superlativa gravidade e ilicitude” na produção dos relatórios, que teriam feito monitoramento sistemático e ilegal do próprio Mendonça e do AGU Jorge Messias por mais de 30 dias.Segundo a decisão, os documentos seriam apócrifos, sem timbre/autoria, classificados como de baixa confiança e sem valor probatório, e foram usados por Moraes para pedir investigação contra Mendonça.Mendonça determina que a Corregedoria da PF instaure procedimentos penal e disciplinar e encaminha a decisão para referendo da Segunda Turma do STF (Fux, Nunes Marques, Gilmar Mendes, Toffoli e Mendonça).A Turma já tem maioria para referendar a decisão, mesmo com o pedido de vista de Gilmar.








