Mumford & Sons toca 'I Will Wait' no Rock in Rio

Mumford & Sons estreia no Rock in Rio em busca de som mais visceral, mas sem renegar hits do indie folk
Mumford & Sons estreia no Rock in Rio em busca de som mais visceral, mas sem renegar hits do indie folk · Imagem: Source: g1.globo.com

Quando o Mumford & Sons subiu ao Palco Sunset pouco antes das 23h deste sábado (12) de Rock in Rio, o grupo inglês de folk rock tinha uma grande banda concorrendo com ela. E, não, não estou falando de outra atração no festival ou do Maroon 5, que tocaria no palco principal na sequência. Estou falando do Mumford & Sons de dez anos atrás.

- HORÁRIOS ROCK IN RIO: Confira a programação completa

- GALERIA: Veja fotos dos shows 6º dia

- Famosos curtem 6º dia; veja imagens

​A única vinda anterior ao país deixou um sarrafo alto demais para a estreia no Rio. No Lollapalooza 2016, em São Paulo, o grupo embalou uma multidão frenética nos morrinhos do Autódromo de Interlagos, em uma apresentação memorável que teve até invasão de palco. Marcus Mumford, líder do grupo, já disse que aquela noite foi uma das mais marcantes da carreira da banda.

Foi o auge daquele som que misturava country indie rock levado no banjo (dos tempos de "Babel", vencedor do Grammy de Melhor Álbum em 2013) com um rock meio Coldplay, mais moldado para fazer multidões pularem.

Hoje, a banda britânica parece encarar festivais destes anos 2020 sob uma nova percepção. Com a Geração Z encarando o som daquela época quase como um classic rock, o grupo abraça o novo status com naturalidade. Antes do show, Marcus Mumford disse ao g1 que um hiato recente abriu caminho para a fase mais produtiva da carreira, desaguando nos álbuns “Rushmere” (2025) e “Prizefighter” (2026).

Mumford & Sons — Foto: Globo

No auge, ele costumava sentir até um pouco de vergonha ao lançar discos por causa de inseguranças com o resultado final, lembrou ele, mas as canções recentes se tornaram suas favoritas. Todo esse ressentimento poderia significar a ausência de hits no setlist, mas não é o caso. Não existe uma “Anna Julia” para Mumford e seus colegas.

Ao vivo, de fato, canções novas como “Rubber band man”, “Prizefighter” e principalmente a bonita “Here”, com ecos de Cat Stevens, soam mais complexas e com mais camadas do que os hits da primeira vinda.

Só que quem botou uma capa de chuva e fez parte da multidão, pequena para um headliner e grande para se chamar de fiasco, aprovou novidades e “velharias”, sobretudo a despedida com “I Will wait”.

“Ditmas” vem com um passeio do vocalista perto das grades. “Little Lion Man", tocada no comecinho, bota o público para cantar o refrão, o que faz Marcus sorrir com aparente sinceridade.

Foi um acerto de contas com os fãs brasileiros e com a banda que o Mumford & Sons é hoje. Uma banda em busca de sons mais trabalhados e viscerais, sem renegar o passado de indie rock delicinha. Teria feito mais sentido em um fim de tarde de Lolla Provavelmente. Mas não dá para escolher tudo na vida.

— Foto: Arte/g1