🌵 Um robô que sabe a hora certa de colher
Imagine uma máquina capaz de olhar para centenas de frutos e escolher, sozinha, quais já estão prontos para sair do pé. Essa tecnologia já existe e foi colocada à prova no campo. ⬇️
Uma pitaya no ponto certo dura poucos dias na planta. Colher cedo demais ou tarde demais significa desperdício ou fruta de qualidade inferior. Um grupo de pesquisadores da Espanha enfrentou esse problema com um robô batizado de Dragonbot, criado para reconhecer sozinho a maturação da fruta do dragão e retirá-la do pé sem apertar demais nem cortar no lugar errado.
Como o robô identifica quando a pitaya está madura?
O Dragonbot usa câmeras e visão artificial para localizar cada fruto entre as folhas do cacto. A partir das imagens, um modelo de inteligência artificial calcula o grau de maturação e decide se aquela pitaya deve ser colhida naquele momento.
Frutos que ainda precisam de mais alguns dias na planta simplesmente são deixados de lado. O sistema percorre a lavoura de forma autônoma, repetindo essa análise fruto por fruto, sem depender de um trabalhador humano para apontar onde estão os pontos maduros.
Robô agrícola escolhe sozinho quais pitayas já estão prontas para a colheita - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
Quais ferramentas o braço robótico usa para não machucar a fruta?
Localizar bem a pitaya não basta se a máquina não souber retirá-la com cuidado. Por isso, o braço do robô combina diferentes peças pensadas justamente para reduzir o risco de dano à casca fina da fruta.
- Garra com dedos flexíveis: se adapta ao formato irregular da pitaya antes de segurá-la.
- Tesoura pneumática: corta o cabo do fruto usando ar comprimido, com movimento rápido e preciso.
- Lâmina vibratória: auxilia no corte em pontos onde a tesoura sozinha não seria suficiente.
- Plataforma com quatro rodas e suspensão independente: mantém o equilíbrio do robô ao avançar entre as fileiras de cultivo.
Esse conjunto de peças só funciona porque cada etapa da colheita é sincronizada. A visão indica onde cortar, e o braço executa o movimento com a força calculada para não esmagar a fruta.
📊 O que os testes de campo revelaram
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Taxa de colheita
Mais de 75% das pitayas maduras foram colhidas com sucesso pelo robô.
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Frutos danificados
Menos de 12% dos frutos colhidos apresentaram algum dano.
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Coordenação
Projeto liderado pelo Laboratório de Robótica Agrícola da UPV.
Dados divulgados pela Universitat Politècnica de València, instituição responsável pela coordenação do projeto.
O que os pesquisadores concluíram sobre os resultados?
Coral Ortiz, coordenadora do projeto, avalia que os números confirmam a viabilidade da tecnologia para outros tipos de fruta delicada, além da pitaya. Os testes foram conduzidos em condições reais de cultivo, não em laboratório.
Vale considerar que esses percentuais vêm de pruebas de campo específicas, o que significa que o sistema ainda pode ser aprimorado. Um estudo anterior do mesmo grupo já havia testado, em 60 frutos, um sensor capaz de medir a firmeza da pitaya sem perfurá-la, segundo publicação da Universitat Politècnica de València.
O robô pode colher outras frutas além da pitaya?
A adaptação a outros cultivos não é automática. O equipamento foi calibrado especificamente para o tamanho, a casca e a posição típica da fruta do dragão nas plantas.
Para colher outro tipo de fruto, a equipe precisaria trocar garras, reunir novos dados de treinamento e ajustar a forma de corte. Ainda assim, o princípio de funcionamento do robô, unir visão artificial e manipulação delicada, serve de base para futuras versões voltadas a outras culturas.
Empresas como GreenVision, responsável por estimar a maturação dos frutos, e Nutai, especializada em localizar o ponto exato de corte, também participaram do desenvolvimento junto ao Instituto ai2 da UPV. O projeto teve apoio financeiro da Generalitat Valenciana, com recursos do fundo europeu FEDER.
O que esperar da próxima etapa do Dragonbot?
O Dragonbot mostrou que uma máquina agrícola pode unir precisão e cuidado ao lidar com frutas frágeis, um desafio que durante anos limitou a automação desse tipo de colheita. Os resultados foram apresentados em junho de 2026 no evento Innova Connect, dedicado a projetos de inovação tecnológica na região valenciana.
Se você acompanha novidades sobre robótica aplicada ao campo, vale ficar de olho nos próximos passos desse projeto. Testes com novas culturas podem aparecer nos próximos anos.


