O julgamento do ex-deputado distrital Carlos Pereira Xavier, acusado de mandar matar o adolescente Ewerton da Rocha Ferreira, de 16 anos, em março de 2004, foi novamente remarcado. A Justiça decidiu por mais um adiamento devido a problemas de saúde do ex-parlamentar, que responde em liberdade.O julgamento foi reagendado para o dia 29 de setembro, no Tribunal do Júri do Recanto das Emas.Esta é a quarta vez que o julgamento do caso é adiado — a segunda por problemas de saúde de Carlos Xavier. Anteriormente, o júri já chegou a ser marcado para fevereiro, mas precisou ser reagendado por ter havido uma rescisão unilateral do contrato com a empresa responsável pelo fornecimento de refeições aos tribunais. Depois, em maio, houve um novo adiamento, desta vez por trâmites judiciais da defesa.A remarcação mais recente ocorreu em 26 de agosto último, quando o Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDFT) mudou a data do Tribunal do Júri, que seria realizado no dia 9 de setembro, novamente por “questões de saúde do magistrado”.Conhecido como Adão Xavier, o ex-parlamentar irá concorrer a deputado distrital nas eleições de 2026 pelo partido Democracia Cristã. Apesar dos problemas de saúde relatados, Carlos apareceu em vídeo publicado nessa terça-feira (8/9), na sua conta pessoal no Instagram, caminhando normalmente em uma feira.Em outras duas publicações feitas em agosto, Carlos Xavier aparece internado e aparenta ter passado por algum procedimento. Apesar disso, ele aparece cumprindo agendas públicas.A defesa de Carlos Xavier foi procurada para se manifestar sobre os problemas de saúde e a remarcação do julgamento, mas até o momento não se pronunciou.Relembre o casoXavier foi condenado em duas instâncias por mandar matar um adolescente de 16 anos, em 2004;Segundo a acusação, o ex-deputado acreditava que o jovem mantinha um relacionamento com a esposa dele e decidiu encomendar o crime;O ex-parlamentar teria pago R$ 15 mil pela execução do adolescente;O corpo de Ewerton foi encontrado com marcas de tiros de revólver atrás de uma parada de ônibus no Recanto das Emas;Na época do crime, Adão Xavier era casado havia 14 anos e, segundo os autos, suspeitava que a esposa mantinha relacionamentos extraconjugais com adolescentes, entre eles Ewerton;Ainda conforme o processo, mesmo após ameaças levarem ao fim do relacionamento entre a mulher e o jovem, o ex-parlamentar teria decidido mandar matar o adolescente.Adão Xavier chegou a ser condenado a 15 anos de prisão pelo homicídio. No entanto, em 2024, o julgamento que resultou na condenação foi anulado.O primeiro júri de Carlos Xavier foi anulado após a defesa apresentar novos elementos ao processo. Entre eles estavam um relatório policial e o depoimento do policial civil Adamastor Castro e Lino de Andrade Júnior, que atuou na investigação do caso quando era lotado na antiga Coordenação de Investigação de Crimes Contra a Vida (Corvida), atual Delegacia de Homicídios.A condenação levou Carlos Xavier a ter o mandato de deputado cassado, sendo o primeiro parlamentar da história da Câmara Legislativa a perder o posto.Adão Xavier foi deputado por três mandatos. O político foi eleito em 1994, em 1998 e em 2002 pelo PPB e pelo PSD. Como parlamentar, Carlos Xavier foi o responsável por criar a Lei nº 893, de 1995, que instituiu o Dia do Evangélico no calendário distrital. A data é comemorada em 30 de novembro.








