Elza Nadai (Penápolis, 13 de junho de 1944 – São Paulo, janeiro de 1995) foi uma historiadora e professora brasileira. De acordo com Diogo da Silva Roiz e Tiago Alinor Hoissa Benfica (2020, p. 337), foi uma das pioneiras nas reflexões acadêmicas sobre o ensino de História no Brasil. Sua trajetória articulou militância estudantil, atuação em experiências pedagógicas inovadoras, como os Ginásios Vocacionais, e uma carreira na Universidade de São Paulo (USP). Segundo os mesmos autores (p. 358, 364), suas práticas e pesquisas contribuíram para a consolidação da Didática da História como campo de investigação acadêmica no país.
Biografia Descendente de italianos, era filha de José Joaquim Nadai e Antônia Garcia Nadai, que integravam a classe média rural da cidade. Casou-se com Aurélio Silvino e foi mãe de dois filhos. Por recomendação de sua editora, a Saraiva, não adotou o sobrenome do marido em suas publicações. Elza Nadai iniciou sua formação escolar em um colégio confessional, onde concluiu o ensino ginasial. Posteriormente, optou pelo curso científico no ensino colegial, por considerar mais compatível com suas aspirações profissionais. Apesar de estar inserida em um ambiente predominantemente masculino, destacou-se pelo desempenho acadêmico. Escolheu cursar História na graduação, período em que se envolveu em atividades políticas e sociais, integrando a Juventude Universitária Católica (JUC). Faleceu em janeiro de 1995, aos 50 anos, enquanto ainda exercia suas atividades no meio acadêmico.
Carreira Elza Nadai se graduou em História na Faculdade Filosofia, Ciências e Letras (1962-1965) da Universidade de São Paulo, tornando-se em 1966 professora secundária concursada pelo Estado de São Paulo. Nesse mesmo ano, iniciou sua trajetória no Serviço De Ensino Vocacional, atuando no Ginásio Vocacional de Rio Claro até 1968. No ano seguinte, 1969, passou a lecionar no Colégio Vocacional na capital paulista, onde assumiu a coordenação da área de Estudos Sociais. Em janeiro de 1970, realizou um estágio no Centre International d'Études Pédagogiques de Sèvres, Université de France, para aprofundar sua formação pedagógica. No ano seguinte,1971, iniciou sua carreira como professora universitária no Centro Pedagógico de Corumbá (CPC), que, neste período, localizava-se no antigo estado do Mato Grosso (que viria a se tornar Mato Grosso do Sul em 1977). No CPC, lecionou disciplinas como História Antiga, História do Brasil e Práticas de Ensino de História e de Estudos Sociais. Em 1972, Nadai passou a integrar o corpo docente da Faculdade de Educação da USP, atuando nas disciplinas de Prática de Ensino de História I e II. Sendo efetivada como professora concursada em 1978. Sua formação continuou na pós-graduação em História Social pela USP, onde foi orientada pela historiadora Maria de Lourdes Mônaco Janotti. Nadai defendeu o mestrado em 1975 e o doutorado em 1982. Em 1991, conquistou o título de livre-docente com a tese “A educação como apostolado: história e reminiscências”, uma obra que visa analisar a estrutura educacional brasileira desde o início do século XX até a Lei 5.692/71. Elza Nadai também se destacou por suas contribuições teóricas e metodológicas. Trabalhou com a concepção História dividida por eixos temáticos, influenciando diretamente os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) com sua abordagem crítica e contextualizada. Participou da elaboração dos Guias Curriculares de São Paulo em 1975 e publicou capítulos em coletâneas organizadas por Jaime Pinsky e Anna Maria Pessoas de Carvalho, consolidando sua presença na formação de professores de História.
Contribuições A produção acadêmica de Elza Nadai foi fundamental para o desenvolvimento da campo de ensino de História no Brasil[1]. Sua obra se caracteriza pela articulação entre pesquisa histórica e compromisso pedagógico, defendendo uma concepção de ensino de História crítica, problematizadora e voltada para a formação cidadã.
Dissertação de mestrado: “O Ginásio do Estado de São Paulo: uma preocupação republicana (1889-1896)”, defendida em 1975 e publicada em 1987. O trabalho analisou a formação do ensino secundário paulista no início da República. Tese de doutorado:“Ideologia para o progresso e ensino superior (São Paulo, 1891-1934)”, concluída em 1982, discutindo a relação entre educação, ideologia liberal e progresso no período republicano. Livre-docência: “A educação como apostolado: história e reminiscências” (1991), obra em que analisou a história da escola pública paulista e a identidade do professor secundário. Capítulos em coletâneas: contribuiu para obras de referência como O ensino de história e a criação do fato (organizada por Jaime Pinsky, 1988) e A formação do professor e a prática de ensino (organizada por Anna Maria Pessoa de Carvalho, 1988), nas quais escreveu capítulos em parceria com Circe Bittencourt. Publicações em periódicos: publicou artigos na Revista Brasileira de História (ANPUH) e em anais de encontros nacionais e regionais da área de História. Livros didáticos: em coautoria com Joana Neves, escreveu livros escolares que tiveram grande circulação, marcando presença no ensino básico. Elza Nadai Participou na elaboração de currículos e cursos de aperfeiçoamento de professores, sobretudo ao fim dos anos 1970, quando o modelo de escola implementado durante a Ditadura militar brasileira começou a dar sinais de desgaste. Nadai opunha-se ao tecnicismo e ao clientelismo, pois entendia que essas práticas impediam o surgimento e aplicação de ideias divergentes dentro do ambiente escolar. Elza Nadai e outras historiadoras, como Circe Bittencourt, enfrentaram resistência por parte de seus pares historiadores, sobretudo na aprovação de projetos a serem financiados pela CAPES. Seus escritos constituíram os pilares ideológicos e metodológicos do campo do Ensino de História no final do século XX. O pilar ideológico possuía uma tendência socialista. O pilar metodológico rompia com uma metodologia expositiva e propunha métodos ativos de aprendizagem escolar. Algumas obras da autora:
Ver também Maria de Lourdes Monaco Janotti
Referências