Liverpool valida a tese do investimento em clubes de futebol — muito diferente das SAFs no Brasil

‘Dinheiro não é infinito’: por que Arábia Saudita pode cortar gastança em astros do futebol
‘Dinheiro não é infinito’: por que Arábia Saudita pode cortar gastança em astros do futebol · Imagem: Source: www.estadao.com.br

Ao vender parte do negócio ao grupo de Jeff Bezos, a Fenway multiplicou por 11 o aporte inicial — operação que faz qualquer investidor sonhar. Crédito: Coluna: Rodrigo Capelo; Supervisão e Distribuição de conteúdo: Jefferson Perleberg; Edição: Amanda Dantas

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O Campeonato Saudita se transformou em um dos principais centros do futebol mundial nos últimos anos após uma forte injeção de investimentos do governo local. Com cifras bilionárias destinadas a contratações e salários, a competição passou a atrair estrelas como Cristiano Ronaldo, Karim Benzema e Sadio Mané.

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Esse cenário, porém, pode começar a mudar diante do atual contexto geopolítico do Oriente Médio. A guerra no Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz podem afetar diretamente os investimentos da Arábia Saudita no futebol, segundo análise publicada pela rádio francesa RMC Sport.

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Cristiano Ronaldo é o principal nome da Liga Saudita. Foto: Reprodução/@Cristiano via X

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O veículo traçou um panorama financeiro do futebol saudita e comparou o momento com a situação da LIV Golf, liga bilionária de golfe, que acabou decretando falência após perder o patrocínio do Fundo de Investimento Público (PIF) da Arábia Saudita.

“Isso indica uma mudança de prioridades, de estratégia e, sobretudo, uma contração nos investimentos”, analisou Jean-Baptiste Guégan, especialista em geopolítica do esporte à RMC Sport.

De acordo com a análise, a guerra no Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz obrigam a Arábia Saudita a reforçar a segurança de suas fronteiras marítimas e redirecionar investimentos diante do aumento do risco estratégico e sistêmico.

Nesse cenário, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman teria iniciado uma redução nos chamados “investimentos extravagantes”. “Continuar com projetos excessivos no esporte em um contexto de guerra iminente não é a melhor estratégia”, afirmou Guégan.

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A movimentação já encontra um exemplo concreto no golfe. A LIV Golf, criada em 2021, protocolou na última terça-feira um pedido de proteção contra falência no Tribunal de Falências dos Estados Unidos, em Nova Jersey. A liga começou a enfrentar dificuldades financeiras após perder, em abril, o patrocínio bilionário do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita.

“Todos pensavam que o dinheiro saudita era ilimitado. Isso literalmente não é verdade; a LIV é um exemplo disso, e certamente não será o único. Devemos esperar privatizações e mudanças reais em tudo relacionado a investimentos na Liga Profissional Saudita e em todas as outras áreas”, analisou Jean-Baptiste Guégan.

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Apesar do cenário de incerteza, os clubes sauditas continuam investindo pesado no mercado. As equipes gastaram quase 500 milhões de euros na atual janela de transferências de verão, valor que poderia indicar que o futebol está protegido das mudanças de estratégia do governo.

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Porém, segundo a RMC Sport, os gastos estão concentrados principalmente em três clubes: Al-Hilal, Al-Qadsiah e Al-Ahli. O Al-Hilal lidera os investimentos, com 205 milhões de euros, incluindo os 70 milhões de euros pagos por Gabriel Martinelli, do Arsenal. O Al-Qadsiah aparece na sequência, com 90 milhões de euros, enquanto o Al-Ahli gastou 84 milhões.

Mesmo diante da possibilidade de redução nos investimentos, o futebol continua sendo considerado um ativo importante para a Arábia Saudita, principalmente pela proximidade da Copa do Mundo de 2034, que será realizada no país.

Para Guégan, entretanto, o momento pode representar uma mudança no modelo de investimento, e não necessariamente o abandono do futebol: “A Arábia Saudita não pode se dar ao luxo de se desvincular completamente, assim como o Catar não pôde fazer com o PSG”, explicou.

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“Você não sacrifica um ativo depois de ter valorizado o seu produto. Há sempre uma lógica por trás disso, você precisa alimentar essa lógica. Você também precisa ver quem está pagando, porque nas transferências recentes, temos jogadores individuais, jogadores privados, jogadores do Estado, e não são sempre as mesmas pessoas que estão pagando”, completou

Na avaliação de Guégan, o futebol saudita deve continuar recebendo investimentos, mas de maneira mais controlada: “Provavelmente, a longo prazo, os investimentos sauditas no futebol serão mais ponderados, mais razoáveis”, concluiu.

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