Milena Teixeira

Crise no STF e cenário eleitoral podem levar envolvidos no caso do Banco Master a adiar depoimentos à Polícia Federal

Milena Teixeira

10/09/2026 09:00, atualizado 10/09/2026 10:16

Paulo Mocofaya/Agência ALBA

A crise que atinge o Supremo Tribunal Federal pode empurrar para depois das eleições os depoimentos de personagens importantes envolvidos no escândalo do Banco Master.

Após ter o depoimento à Polícia Federal adiado no mês passado, o ex-sócio de Daniel Vorcaro, Augusto Lima, tinha previsão de prestar novos esclarecimentos nesta semana.
Lima tem demonstrado interesse em falar e mantém a disposição de prestar depoimento.
A intenção, no entanto, é aguardar o primeiro turno das eleições para se apresentar à PF.
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Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master, é um dos alvos da Operação Compliance Zero
Paulo Mocofaya/Agência ALBA
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Jaques Wagner e Augusto Lima, alvos da operação da PF
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Daniel Vorcaro e Augusto Lima
Arte/ Metrópoles
O entendimento nos bastidores é de que o cenário envolvendo a Corte ainda pode ter desdobramentos importantes nas próximas semanas e alterar o ambiente político, o que levou a defesa dos envolvidos no caso a considerar mais conveniente aguardar a passagem do primeiro turno.
Em outra frente, o depoimento do senador Jaques Wagner (PT-BA), previsto inicialmente para o mês passado, também pode ser adiado para depois do primeiro turno das eleições.
As investigações
Jaques Wagner foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 18 de junho para apurar supostas irregularidades envolvendo o Banco Master.
Augusto Lima, por sua vez, também foi alvo da ação em novembro do ano passado. Ele chegou a ser detido e atualmente cumpre prisão domiciliar.
Segundo os investigadores, o senador teria recebido uma série de benefícios indevidos ao longo dos últimos anos. Entre eles, estão o uso frequente de aeronaves ligadas ao grupo do empresário Daniel Vorcaro, ingressos para shows e a negociação de um apartamento em Salvador avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões.
A PF suspeita que o imóvel tenha sido adquirido por Lima, ex-sócio do Banco Master, com a participação de intermediários ligados ao grupo investigado, para beneficiar o parlamentar. Os agentes também apuram uma suposta atuação de Wagner em favor dos interesses da instituição financeira no Congresso Nacional.
O senador nega irregularidades. Em sua versão, afirma que procurou Lima para comprar temporariamente o apartamento, com o compromisso de revendê-lo posteriormente para sua filha.
Como revelou a coluna em março, a empresa da esposa do enteado de Jaques Wagner também firmou um contrato de R$ 12 milhões com uma instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro.


