Quem viveu nos anos 1980 como eu não precisa de nenhuma trend de Instagram ou TikTok para lembrar dos cabelões com muito New Wave (os 50+ entenderão) para manter a franja armada ou arrepiada, meio punk. Nem das roupas fluorescentes para brilhar na luz negra da danceteria (Siiim, no Rio a discoteca dos anos 1970 foi rebatizada desse jeito na década seguinte, meu povo mais novo.)

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Agora tem Viagem no TikTok: segue a gente lá

Muita gente agora tem vergonha dessa estética maneira (já no clima daquele tempo) que a brincadeira das redes sociais resgatou. Fato é que outros tantos estão se divertindo com a inteligência artificial pedindo para o robô recriar imagens com aquela onda (como a gente falava vibe na década de 1980) e em tons meio vibrantes, meio escuros como eram as revelações de filmes de rolo de câmera fotográfica então.

Me lembrei do meu visual adolescente, só que a #trendanos80 me levou diretamente para outro ponto daquele tempo: viagem. Pedi ao Gemini (sei lá, raramente uso o ChatGPT) para criar fotografias no estilo daquela época. Descrevi o que minha memória me trazia das poucas viagens que fiz e do que meu pai contava dos voos a trabalho. (Viajar na década de 80 não era algo tão fácil como hoje em dia. As passagens eram caras, não havia tantas rotas internas; lembra da Leia da Oferta e da Demanda da economia? A vida, aliás, foi dureza naquela década: muita instabilidade econômica e planos mil: Cruzado, Bresser, Verão.)

#trendanos80 Aeromoça servindo bebidas em copos de vidro Foto: Imagem feita por IA

De posse de flashes de uns 40 anos atrás, criei comandos, os tais prompts, para pedir à IA do Google para criar fotos de como era viajar nos anos 80. No geral, achei bem legal o resultado. Reparei alguns detalhes em que o robô se confundiu entre passado e presente (parecendo minha cabeça na menopausa).

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Na comida de avião, quando escrevi para incluir potes de plástico, a IA usou copos transparentes. Salvo engano meu, o plástico ainda tinha cor na década de 80 – aliás, como tudo naquela época. Pedi para trocar e ficou como você vê mais abaixo. O piso do aeroporto também ganhou cerâmica na imaginação do Gemini. Mas cadê aquele piso emborrachado com textura de bolinhas? Promptamente, pedi para mudar.

Ah, outro detalhe: nas datas escritas nas fotografias, o Gemini demonstrou ter com 1989 uma certa fixação (Seus olhos no retrato / Minha assombração / Fantasmas no meu quarto / I want to be alone – será que o robô seria capaz de cantarolar Kid Abelha como você fez mentalmente durante a leitura?).

Enfim, me conta aí: você lembra como era viajar nos anos 80? Deixa nos comentários o que veio à memória e me diz se a IA acertou nos detalhes das fotos abaixo.

Malas pesadas sem rodinhas: não apenas pessoas, o objeto em si

Como podemos viver sem elas? Designers de produto, pô, era mesmo tão difícil alguém pensar em juntar um carrinho de mão a uma mala? Tem um detalhe: elas duravam mais. Não sei se o couro e os materiais eram muito melhores que as fibras atuais ou se jogavam menos as malas nos aeroportos? Aposto nas duas coisas, lembrando que menos gente viajava, então tinha menos mala também.

#trendanos80 Malas de couro na esteira: haja peso Foto: Imagem feita por IA

Aeroportos com piso emborrachado e sem sala vip

Quer saber como era? Dá um pulinho no Terminal 1 de Guarulhos que já passa a ideia sem precisar de IA. Na última vez em que estive no Galeão, a passagem da área de check-in internacional para o nacional, também continuava assim. Me atualiza se esteve por lá: segue o piso emborrachado com a textura de bolinhas?

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Viagem - Trend anos 80 - Aeroporto e Transbrasil - Foto: Imagem feita por IA

As companhias aéreas nos anos 1980 comuns eram Vasp, Transbrasil, Varig e Cruzeiro (Varig Varig Varig / Cruzeiro Cruzeiro). Você podia abrir a passagem e descer nas paradas se tivesse escala. Era o stopover da época. Não pagava nada a mais. Numas férias em família nos anos 80, a gente viajou do Rio para Recife. Na volta, o avião parava em Maceió; a gente desceu e passou uns dias nas piscinas naturais por lá. Dali, a rota seguia com escala em Aracaju; também aproveitamos uns dias, quebrando caranguejo no martelo e tomando água de coco batida com polpa de coco congelada.

Cheguei a voar de Varig, Vasp e Transbrasil, especialmente depois que vim morar em São Paulo. Repórter iniciante, vivia atrás de promoção aérea para evitar pegar o 1001 e ter de virar a noite na Dutra para trabalhar na segunda cedo. (Já no início dos anos 2000 usei muito aquela de voar 10 trechos e ganhar 1. Me lembro que peguei ponte aérea nos 10 e depois pude tirar um voo SP-São Luís nas férias.)

Cigarro aceso na poltrona ao lado, dentro do avião

Gente, isso é o mais chocante de lembrar!!!! Pesquisando sobre até quando foi permitido fumar dentro do avião, cheguei à data de outubro de 1998. (Eu vim para São Paulo em novembro daquele ano, então ainda podia fumar a bordo...) Conversando sobre isso com a minha amiga Carla Miranda, ela lembrou do livro Caixa-Preta, de Ivan Sant’Anna, em que ele fala do acidente que deu origem à ideia de proibir o cigarro dentro do avião: um incêndio num voo da Varig, de 1973. (Agora faz as contas: 25 anos depois, ainda dava para fumar dentro do avião no Brasil!)

#trendanos80 Cigarrinho com uísque para acompanhar o bate papo no voo Foto: Imagem feita por IA

Com a poluição galopante das décadas seguintes até a atualidade e o tanto de problemas respiratórios das pessoas (minha rinite que o diga), dá para imaginar isso? O ar de avião já é um troço parado, esquisito à beça. Na pandemia, o tal filtro Hepa foi mais do que falado (entrando no avião recentemente, li à direita da porta que a aeronave tinha Hepa e me transportei para as dezenas de reportagens que fiz sobre a aviação no período da emergência da covid).

Passagem impressa e com páginas de papel carbono
Olha, eu comprei uma passagem numa loja da Varig na Paulista no início dos anos 2000 e tenho certeza de que ainda era no formato de livreto, com várias páginas de papel fininhas, entremeadas por papel carbono. Na minha memória, nos anos 1980 elas já eram coladas à esquerda, no lado menorzinho do retângulo, e abriam meio escorregando no sentido da direita para a esquerda. Você pegou o livreto de passagem colado em cima como o robô criou?
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#trendanos80 Bilhete aéreo em livreto, com papel carbono Foto: Imagem feita por IA
Refeições com talheres de metal e bandeja de prata na primeira classe
Comida de avião. Quanto ao sabor, um item polêmico até hoje. Falando do serviço de bordo, os malditos carrinhos continuam atropelando pés nos corredores da econômica (um dos motivos para eu gostar de janela). O que vinha em cima deles, porém, mudou muito. Barrinha de cereal ou biscoito? Nem pensar!
#trendanos80 Sem barrinha ou biscoito: comida com garfo e faca de metal Foto: Imagem feita por IA
Peguei a era dos talheres de metal na classe mais barata – atualmente, só da executiva para cima. De primeira classe, nunca voei nos anos 80 (aliás, até hoje). Você esteve na primeira classe da Varig? Bebeu espumante em taças de cristal servidas em bandeja de prata. Era assim, ou o robô enlouqueceu? O que mais tinha? Segue a trend aqui nos comentários.
#trendanos80 Borbulhas em cristal, servidas em bandeja de prata Foto: Imagem feita por IA


