A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu diretamente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta semana. Além das tensões que têm potencial para contaminar a campanha de Lula à reeleição, as últimas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República e de avaliação da gestão petista também acenderam alertas para o titular do Planalto.A 25 dias do primeiro turno das eleições deste ano, a crise institucional se acirrou ainda mais, nessa terça-feira, com a decisão do ministro André Mendonça, que determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, por 90 dias.O ministro alegou ter sido alvo de “monitoramento sistemático e ilegal” da corporação durante mais de 30 dias. Com o afastamento de Andrei, o delegado William Marcel Murad, diretor-executivo da PF, assumiu temporariamente o comando da corporação.A decisão de Mendonça envolvendo Andrei ocorre logo depois de o magistrado ter proferido, na semana passada, decisões no âmbito do caso Master envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, elevando as tensões na Corte.Por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), o governo federal pediu, em caráter de urgência, que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, suspenda a decisão de Mendonça que afastou Andrei. O documento, assinado pelo advogado-geral, Jorge Messias, e por outros integrantes da direção da AGU, sustenta a existência de grave lesão à ordem pública e administrativa.Segundo o órgão, o afastamento cautelar viola frontalmente a prerrogativa constitucional privativa do presidente da República para prover e desprover cargos de direção da PF. Além disso, destaca “que a descontinuidade abrupta na gestão do órgão compromete o funcionamento das atividades de polícia judiciária e gera risco de desorganização institucional”.6 imagensFechar modal.1 de 6Lula tenta conter a crise entre a PF e o STFIgo Estrela/Metrópoles@igoestrela2 de 6Chefe da PF foi afastado do cargo por um período inicial de 90 diasIgo Estrela/Metrópoles@igoestrela3 de 6Presidente Lula e presidente do STF, ministro Edson FachinBRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto4 de 6Presidente Lula e presidente do STF, ministro Edson FachinBRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto5 de 6Presidente Lula, presidente do STF, ministro Edson Fachin, e procurador-geral da República, Paulo GonetBRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto6 de 6Presidente Lula e advogado-geral da União, Jorge MessiasBRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFotoAliados de Lula apontam razões eleitoraisA avaliação de integrantes do governo é de que as últimas decisões de Mendonça têm razões eleitorais. Vale lembrar que o ministro foi indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).Interlocutores do presidente Lula apostam que o timing do ministro do STF para realizar essa ofensiva contra Moraes e, agora, contra Andrei não é coincidência, já que as eleições se avizinham.A interpretação é de que, como o caso Dark Horse, que mostrou a proximidade entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro (PL), e que tem Mendonça como relator, não tem evoluído, o ministro tenta blindar a família Bolsonaro e favorecer Flávio na corrida eleitoral.Moraes foi o relator dos processos no âmbito da trama golpista e dos ataques de 8 de Janeiro, que condenaram e levaram à prisão de Jair Bolsonaro e aliados por atentarem contra a democracia. Por isso, o magistrado é visto como o grande inimigo da direita bolsonarista e associado por eleitores como uma figura próxima ao presidente Lula.Já Andrei, que está no comando da PF desde 2023, é considerado um homem de muita confiança do presidente e chegou a integrar diversas comitivas presidenciais em viagens internacionais de Lula. Leia também Manoela AlcântaraFachin dá 72 horas a Mendonça após AGU contestar afastamento de Andrei BrasilAssociação dos Delegados da PF: só o plenário do STF poderia afastar Andrei Manoela AlcântaraAGU diz que Mendonça se contradisse ao levar caso de Andrei à 2ª Turma BrasilLíder do governo no Congresso critica Mendonça por afastar Andrei da PF Cenário eleitoralOs últimos fatos — que, para aliados de Lula, têm grande potencial de contaminar a campanha à reeleição do presidente — ocorrem em meio à preocupação dele e de integrantes da campanha com os índices de desaprovação ao governo e as estimativas de intenção de voto para a Presidência da República.Pesquisa Quaest divulgada nessa segunda-feira (7/9) mostra que 50% dos eleitores desaprovam o governo Lula, enquanto 43% aprovam. Outros 7% não souberam ou não responderam. Na pesquisa anterior, divulgada em 2 de setembro, a desaprovação era de 48%, contra 45% de aprovação. A diferença entre os dois índices, portanto, passou de três para sete pontos percentuais.O levantamento também mostrou que Lula e Flávio estão numericamente empatados no segundo turno. Os dois candidatos somam 41% das intenções de voto. Na sondagem anterior, divulgada em 2 de setembro, Lula tinha 42%, enquanto Flávio somava 41%.Os resultados aumentaram a atenção dentro do núcleo político do presidente e de sua campanha à reeleição. Lula está insatisfeito com os números e avalia, com sua equipe, estratégias para melhorar a percepção sobre o governo e a própria candidatura junto ao eleitorado. Ele se reuniu com integrantes da campanha nessa terça-feira, no Palácio da Alvorada.Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Milena Teixeira, a avaliação de integrantes da equipe é que a tracking, pesquisa interna de acompanhamento, vinha indicando uma percepção mais favorável sobre o desempenho de Lula do que a apontada pelo levantamento da Quaest.Agora, a campanha precisa reagir para atingir positivamente os eleitores e evitar que as novas revelações envolvendo o caso Master contaminem a disputa presidencial e impeçam os planos de Lula de chefiar o Planalto pela quarta vez. 1º turno, segundo a QuaestSegundo a última Quaest, Lula continua na liderança das intenções de voto no 1º turno, com 36%. Flávio Bolsonaro aparece logo atrás, com 29%. Em terceiro lugar está Augusto Cury (Avante), com 8%.Na Quaest anterior, de 2 de setembro, o escritor aparecia com 10% das intenções de voto. Lula pontuou 37%, e Flávio Bolsonaro registrou 30%.Confira os números: Lula (PT): 36%; Flávio Bolsonaro (PL): 29%; Augusto Cury (Avante): 8%; Renan Santos (Missão): 3%; Ronaldo Caiado (PSD): 3%; Romeu Zema (Novo): 2%; Pablo Marçal (PRTB): 1%; Indecisos: 9%; Branco, nulo ou não irão votar: 8%.Os candidatos Samara Martins (UP), Edmilson Costa (PCB), Clariana Barão (DC), Hertz Dias (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO) e Wilson Grassi (Democrata) não pontuaram.

















