Assessoria da Polícia Federal ainda não confirma se o diretor-geral já retomou o cargo

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O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, chegou por volta das 11h30 desta quarta-feira (9) à sede da PF, em Brasília após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a recondução dele ao cargo. Rodrigues havia sido afastado ontem do posto por decisão do ministro André Mendonça. Segundo apurou o Valor, o diretor-geral já voltou a ocupar hoje da chefia da corporação e despachou com outros diretores.
Questionada, a assessoria da PF ainda não confirmou que Rodrigues já retomou o cargo e se já estaria despachando da direção-geral da corporação. Com seu afastamento ontem, o posto ficou ocupado pelo diretor-executivo William Murad, o número dois na hierarquia da PF até a decisão de Mendonça. O afastamento causou revolta e indignação na chefia da corporação, que viu atuação política de Mendonça. Murad também voltou ao posto de diretor-executivo nesta manhã após a volta de Andrei e segue trabalhando normalmente.
O órgão vive um clima de tensão e racha inédito em meio aos embates no Supremo Tribunal Federal desde que veio à público o relatório da PF que expôs a relação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Internamente na corporação, a avaliação é de que o racha vivido no STF acaba se refletindo dentro da PF, com os ânimos se acirrando nos últimos dias em meio a escalada de tensão no Supremo e o afastamento sem precedentes de um diretor-geral que estava no cargo a partir do pedido de um partido político.
O documento que expôs Moraes foi produzido por ordem de Mendonça, sem um pedido expresso da Polícia Federal ou da Procuradoria-Geral da República (PGR), e encaminhado à Presidência do STF para avaliar quais providências adotar em relação a Moraes.
Em resposta, Moraes solicitou da PF relatórios sigilosos de inteligência que levantam questionamentos sobre a atuação de Mendonça nas investigações envolvendo o esquema de fraudes no INSS e o extinto Banco Master. O documento foi tornado público por Moraes e encaminhado também à Presidência do STF para avaliar as medidas a serem adotadas em relação a Mendonça.
Na decisão em que determinou o afastamento de Rodrigues, Mendonça apontou a existência de supostas “irregularidades e potenciais ilicitudes” na conduta do diretor-geral na produção dos relatórios utilizados na semana passada por Moraes. O nome do diretor-geral também aparecia no documento tornado público por Mendonça com mensagens escritas por Vorcaro para um destinatário identificado como Alexandre de Moraes. O banqu eiro teria pedido que Moraes intercedesse junto a Andrei Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Além do afastamento, Mendonça determinou a abertura de procedimentos investigativos criminais e administrativo-disciplinares contra Andrei, que deverão ser conduzidos pela Corregedoria da PF.
Diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues — Foto: Jose Cruz/Agência Brasil
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